Estado decreta guerra ao câncer
O combate ao preconceito é a principal arma para o combate ao câncer do colo de útero. Muitas mulheres, por vergonha, deixam de realizar o papanicolau, exame que pode prevenir o câncer cérvico-uterino. Por isso, a Secretaria Estadual da Saúde criou um programa que prega a prevenção, pois um exame simples, feito pelo próprio médico, pode detectar possíveis lesões e acelerar o início do tratamento com plena recuperação do paciente.
A meta do programa é zerar a mortalidade em razão do câncer uterino no Estado em quatro anos. Atualmente, cerca de 360 mulheres morrem por ano em razão da doença, que tem 100% de cura se for diagnosticada precocemente. Mais de 80% dos exames foram realizados em mulheres da faixa etária em que a incidência da doença é maior, compreendida entre 30 e 39 anos. Do total de mulheres que realizaram o preventivo nos últimos dois anos, 87,99% não apresentaram nenhum problema e 11,77% foram encaminhadas para outras avaliações médicas.
O programa da secretaria, que foi criado em 1997, é uma parceria com a Sociedade Paranaense de Patologia. Em pouco mais de dois anos de existência, a cruzada promovida pelo governo do Estado já realizou o exame em mais de 850 mil mulheres. Desse total, foram encontradas 10 mil lesões com potencial cancerígeno, que foram encaminhados para o devido tratamento.
Nem o medo da hora de conhecer o resultados dos exames foi um empecilho para a realização da campanha. Segundo a diretora de Sistemas de Saúde da secretaria, Márcia Huçulak (foto), apenas 46% das pacientes voltaram para conhecer o resultado dos exames. Nos casos de detecção de anormalidades em exames de mulheres que não buscaram o resultado, agentes de saúde foram destacados para fazer o encaminhamento ao tratamento.
De acordo com a diretora científica da Academia Internacional de Citopatologia, Marluce Bibbo, a estratégia da secretaria pode ser bem-sucedida. ‘‘Com a realização desse programa, o Paraná está próximo do caminho para baixar a incidência do câncer ginecológico’’, afirmou ela – que também é professora da Universidade da Filadélfia (EUA) – quando participou do 2º Encontro Paranaense de Prevenção ao Câncer Cérvico Uterino, realizado em Curitiba.

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