Paulo WolfgangLuta pela vidaUm dos quadrigêmeos que estão na UTI do Hospital Infantil: fase crítica só terminará depois de uma semana de internamento Lucas e Carla, dois dos quadrigêmeos nascidos prematuramente no último domingo, têm apenas cerca de 1% de chance de recuperação e sobrevivência. Esta avaliação é da médica-chefe da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Infantil, Silvana Pierre Branco. Os quatro nasceram, através de parto por cesariana, após cinco meses e meio de gestação, pesando entre 700 e 750 gramas. Na segunda-feira, morreram Amanda e Mariana.
No final da tarde de ontem, o boletim médico expedido por médicos do Hospital Infantil (HI) - que pertence à Santa Casa, onde nasceram os quadrigêmeos - explicava que o estado geral de Lucas e Carla é grave em consequência da extrema prematuridade e baixo peso deles. Segundo o boletim, as duas crianças estão em incubadoras individuais e apresentam-se em fase crítica, necessitando de ventilação mecânica e cuidados intensos. Pela avaliação médica, esta fase crítica só terminará com cerca de uma semana de internamento.
Os quadrigêmeos são filhos de Ana Maria Santana, 29 anos, e Carlos Henrique Berbert, 34 anos. Eles foram transferidos para a UTI pediátrica do Hospital Infantil em ambulância especialmente equipada logo após o nascimento, na manhã de domingo. O parto foi realizado pelo médico Jurandir Ruzon, assistido pelos pediatras Álvaro de Oliveira e Silvana Branco.
Os dois gêmeos estão sobrevivendo através de respiração artificial e recebendo alimento parenteral por aplicações intravenosas 24 horas por dia, dentro das incubadoras, que não podem ser abertas por nenhum motivo. ‘‘A simples abertura da incubadora ou a desconectação dos aparelhos poderia levá-los à morte, porque eles estão extremamente frágeis e muito abaixo do peso normal’’, comenta Silvana Branco. Um bebê nascido após nove meses de gravidez pesa, em média, 3 kg.
Segundo a chefe da pediatria do HI, Amanda e Mariana morreram em consequência do rompimento de alvéolos dos pulmões - que, imaturos, não resistiram à respiração mecânica - e da infecção por germes normais existentes na pele da mãe. Esses germes chegaram ao sangue dos bebês porque houve um rompimento das bolsas amnióticas que os protegiam, cerca de 24 horas antes do parto. Isso inclusive levou à realização da cesariana.

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