A três dias do primeiro turno das eleições municipais, o governo paranaense divulgou ontem nota em que anuncia o pagamento de avanços (promoções para quem concluiu especialização ou mestrado neste ano) a cerca de 15 mil professores estaduais. Na avaliação do sindicato da categoria, o anúncio tem caráter eleitoreiro, principalmente porque o Estado ainda não pagou os avanços atrasados, relativos a oito meses, e que somam cerca de R$ 6 milhões.
‘‘O governo veicula como grande feito o que nada mais é do que cumprir a lei, respeitando um direito do professor’’, afirmou Edilson de Paula, secretário de Assuntos Municipais da Associação de Professores do Paraná (APP), o sindicato da categoria. Segundo ele, o Estado ainda não cumpriu a promessa de pagar os avanços do período entre outubro do ano passado e junho deste ano.
Essa dívida foi um dos motivos da greve dos professores, entre 23 de maio e 17 de junho. Para encerrar a paralisação, o governo assinou acordo se comprometendo a pagar os avanços, em parcelas, a partir de junho. Isso não aconteceu.
Ontem, o governo anunciou que pagará o benefício relativo ao ano 2000 a partir de outubro. A nota foi produzida pela Agência Estadual de Notícias, órgão de divulgação do Estado. Um dos trechos diz que a medida é fruto de ‘‘decisão do governador Jaime Lerner’’.
O PFL, partido de Lerner, tem concorrentes na maioria dos 399 municípios paranaenses. Em Curitiba, o prefeito pefelista Cassio Taniguchi, lidera as intenções de voto, apesar de uma crescente tendência de haver segundo turno, como aponta a Pesquisa Folha publicada ontem. ‘‘Como a oposição cresce em Curitiba, o governo usa a máquina administrativa para tentar reverter essa situação’’, declarou de Paula.
Em relação ao pagamento dos atrasados, a nota afirma que isso vai ocorrer ‘‘uma vez implantados todos os itens salariais de 2000’’. Segundo o material, os ganhos salarias dos 15 mil beneficiados oscilarão entre 5% e 30%. O pagamento representará um aumento de R$ 1,1 milhão na folha da Secretaria Estadual da Educação. O Estado tem 50 mil professores.
Procurada pela Folha no final da tarde, a assessoria de imprensa de Lerner informou que nem o governador e nem os secretários se manifestariam a respeito das críticas da APP.

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