Mil e duzentos professores da rede estadual de ensino foram selecionados pela Secretaria da Educação do Paraná, entre mais de 8 mil candidatos em topo de carreira, para participar do Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE), que visa a educação continuada dos docentes. Eles realizaram uma prova seletiva no ano passado, que contou com questões de conhecimentos específicos, língua portuguesa e fundamentos da educação.
A aula inaugural aconteceu no dia 12 de março, em Curitiba, e no início de abril, os professores tiveram o primeiro contato com os orientadores de sete universidades paranaenses envolvidas no programa, entre elas cinco estaduais e duas federais.
Mais de 300 orientadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Estadual de Maringá (UEM), Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Unicentro e Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) irão trabalhar com professores de educação física, matemática, biologia, ciências, educação especial, física, química, línguas portuguesa e estrangeira, história e geografia, além de profissionais de gestão escolar e pedagogia.
De acordo com o professor José Roberto Pinto de Souza, vice-coordenador do PDE na UEL, 258 professores da rede estadual de Londrina e região serão orientados por 67 professores da universidade.
''É um programa de educação continuada, um curso prático de aperfeiçoamento. Os professores trarão suas demandas para a universidade, que irá propor mudanças na realidade da didática das escolas'', assinalou.
Segundo Souza, o programa terá dois anos de duração. Na primeira fase, os docentes deixarão a sala de aula para dedicar toda a carga horária à capacitação. Na segunda fase, eles retornam para as escolas e passam a destinar apenas 25% do tempo para concluir o PDE.
Ainda conforme o professor, cada docente capacitado no programa irá ensinar outros 37 professores, ''o que culminará numa grande rede de informações nas escolas públicas''. ''Londrina é a região que mais terá professores e orientadores, seguida por Guarapuava'', citou.
Durante o programa, os docentes irão participar de cursos e seminários, além da criação de projetos que serão aplicados em sala de aula ''para acarretar mudanças de atitude nas escolas''. ''Os projetos poderão ser jogos educativos, livros didáticos ou qualquer outra idéia que seja aplicável aos alunos.''
Os 1,2 mil professores estão dispensados das salas de aula desde o último dia 2 de abril. Neste primeiro ano de curso, eles serão substituidos por outros profissionais contratados pelo governo estadual por meio de um Processo Seletivo Seriado (PSS).
Segundo a coordenadora do PDE no Núcleo Regional de Educação de Londrina, Giselia Aparecida Serigati Salvalagio, não haverá perda para os alunos, que não ficarão sem professores em sala.
Os profissionais de educação física Maria de Lurdes Galvão Jacobs e Leda Giacobbo Galhardi, do Colégio Estadual Professor Vicente Rijo, de Londrina, e Fernando Laércio Martins, do Colégio Estadul Padre José Cande, de Apucarana, tiveram o primeiro contato com o orientador da UEL no final de março. Para eles, o PDE será como um mestrado.
''Apesar de tanta violência na escola, a educação física ainda é mais bem aceita entre os alunos'', disse Maria de Lurdes. Para Martins, a saída do professor não deverá atrapalhar o aprendizado dos alunos, mesmo num momento de tanta falta de limite e violência. ''A violência é geral e de uns tempos para cá a proporção tem sido muito maior. As crianças estão se sentindo cada vez mais poderosas'', desabafou.

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