Estado admite falta de centros especializados para queimados
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quinta-feira, 20 de junho de 2002
Andréa Lombardo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba Não há solução a curto prazo para resolver a precariedade de leitos de atendimento a vítimas de queimaduras graves no Paraná. O diretor-geral da Secretaria de Estado da Saúde, Ângelo Tesser, disse ontem que o rigor imposto pela portaria do Ministério da Saúde, que regulamenta esse tipo de serviço, é uma das principais razões para a falta de interesse por parte dos hospitais em se credenciarem. Apenas o Hospital Evangélico, em Curitiba, dispõe de um centro específico para atendimento a queimados, com 22 leitos para adultos e 13 para crianças.
O diretor admite que o Paraná precisaria de mais um ou dois centros para socorro às vítimas de queimaduras graves. Ele garante, no entanto, que o atendimento aos pequenos e médios queimados, que representam o maior número de casos a classificação se dá conforme a extensão do corpo atingida e o tipo de queimadura (1º, 2º e 3º graus) tem acontecido normalmente. Os hospitais do SUS, segundo ele, têm condições de prestar o atendimento ambulatorial e fazer o internamento, caso necessário.
De acordo com Tesser, o investimento para estruturar um centro especializado de atendimento a queimados é muito elevado. Além de espaço físico exclusivo, explicou ele, são necessários equipamentos e equipes de profissionais capacitados para atender esse tipo de paciente. É uma situação que não se resolve a curto prazo, mesmo que se tenha recursos e se consiga convencer um prestador do SUS (Sistema Único de Saúde) a implantar o serviço, afirmou. A formação de médicos especialistas, segundo ele, requer, pelo menos, quatro anos de residência na área.
Outra questão pouco atrativa para que os hospitais se especializem no atendimento a queimados, argumentou Tesser, é o alto custo do tratamento de queimados. O ressarcimento via tabela do SUS, muitas vezes, não cobre as despesas, alegou.


