Um levantamento apresentado ontem pela Secretaria Estadual de Segurança admite que pelo menos dois assassinatos ocorridos no Paraná nos últimos sete meses podem ter ligação com a ‘‘queima de arquivo’’ de testemunhas do crime organizado no Estado. As CPIs nacional e estadual do Narcotráfico e do Crime Organizado questionam o levantamento e sustentam que esse número é muito maior e pode superar 25 casos.
Os dois casos envolvem testemunhas de acusação contra Joarez França Costa, o ‘‘Caboclinho’’, acusado de comandar o desmanche de carros roubados no Estado e que está preso em Curitiba. Paulo Fernando Miranda, conhecido como ‘‘Cristo’’, de 19 anos, foi executado, no dia 12 de agosto, por encapuzados que invadiram a Delegacia de Itaperuçu (Região Metropolitana de Curitiba), onde ele estava preso. O segundo caso é o assassinato do empresário Joel de Souza, que trabalhava no setor de autopeças em Cascavel (Oeste do Estado).
Além da morte de Souza, a secretaria investigou os 147 assassinatos ocorridos entre fevereiro e agosto deste ano nos 25 municípios da Região Metropolitana de Curitiba. Desse total, de acordo com a secretaria, 62% dos homicídios foram solucionados pela Polícia Civil. O levantamento consumiu um mês e meio de trabalho.
Outro caso ainda sob investigação é o desaparecimento de Rafael Walenga, 22 anos, que denunciou o suposto envolvimento de policiais e empresários de Cascavel com o narcotráfico, a receptação de produtos roubados e lavagem de dinheiro. ‘‘Não acredito que haja qualquer tipo de ligação. Ele era uma pessoa com antecedentes criminais e que praticava furto, mexia com drogas. Mas estamos investigando’’, disse o secretário de Segurança, José Tavares.
Os dados levantados pela polícia foram cruzados com a listagem de mais de 500 nomes citados nas CPIs estadual e nacional do Narcotráfico. Nenhum dos nomes da listagem – sejam testemunhas, envolvidos com o narcotráfico, ou apenas citados durante depoimentos – figuraram entre os mortos. Isso comprovaria, de de acordo com Tavares, que os números apresentados por deputados federais e estaduais não corresponderiam à verdade.
Também foi apresentado o ofício de número 333/2000, de 19 de setembro, assinado pelo procurador Dartagnan Cadilhe Abilhôa, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), afirmando que não existe qualquer investigação sobre assassinatos cometidos após a passagem da CPI nacional pelo Paraná. Segundo o ofício, a PIC recebeu informações de que alguns jovens que foram mortos tinham ligação com o uso e o tráfico de drogas, e que essas mortes teriam origem em acertos de contas ou outras divergências entre pequenos traficantes. A única exeção destacada no ofício é o caso do Cristo.

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