Estádio vira ponto de drogas e prostituição
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sexta-feira, 22 de janeiro de 1999
Marccio W. Varella 
Arquibancadas, cabines de rádio e TV e banheiros do estádio de futebol Willie Davids, inaugurado há 23 anos em Maringá, estão sendo usados por traficantes, usuários de drogas, garotos de programa e prostitutas todas as noites, há mais de 10 anos. Durante o dia, dezenas de desocupados aproveitam a sombra da arquibancada coberta para dormir. Os mendigos amanhecem dormindo no concreto da geral. Pelo menos uma vez por mês a patrulha da Polícia Militar prende um traficante nas dependências do estádio.
Na noite de terça-feira, dois traficantes de maconha, Ozineide Teles do Nascimento, 19 anos, e Edvam Gomes da Silva, 18 anos, foram detidos em flagrante pala PM com 30 gramas da droga e encaminhados à 9ª Subdivisão Policial, onde estão presos.
O estádio está localizado na Zona 7, um dos bairros mais populosos de Maringá. A manutenção do local é precária - as cadeiras de ferro da arquibancada coberta não são lavadas, assim como as cabines onde trabalham os profissionais de imprensa. Os banheiros cheiram mal; a limpeza é apenas superficial. As cercas que separam a geral das arquibancadas estão enferrujadas. As catracas de entrada estão quebradas.
É pelas catracas que os desocupados conseguem entrar nas arquibancadas e de lá ganhar os corredores que levam às cabines, bares e banheiros. Além de malconservado, o estádio não tem vigias. Segundo o responsável pela administração do estádio, professor Luís Carlos Chioderoli, pelo menos dois vigias teriam que trabalhar durante todo o dia no local, já que o estádio faz parte do patrimônio público municipal.
A prefeitura não tem vigias suficientes para cuidar de seus 157 prédios públicos: postos de saúde, a sede da prefeitura, creches, escolas, parques e centros esportivos, entre eles o estádio de futebol. São apenas 295 guardas municipais - até o ano passado eram 350. Eles não podem fazer horas extras, recebem mensalmente salário de R$ 247,00 e trabalham em regime de turnos - 12 horas de serviço a cada 36 horas.
O professor Chioderoli lembra que o estádio nunca teve vigilância efetiva em toda a sua história. Até há pouco tempo havia ronda noturna, um vigia passava por ali de vez em quando. Agora, só quando alguém faz queixa à polícia, afirmou o administrador.
No estacionamento do estádio, duas vezes por semana, é montada uma feira de hortifrutigranjeiros (a Feira do Produtor). Ainda no estacionamento, funciona a sede da Associação dos Vendedores de Veículos de Maringá (Avimar). Um dos vendedores, Hermógenes Pinto Sobral, disse à Folha que usuários de drogas frequentam o estádio mesmo durante o dia: Na maior cara-de-pau. Em pleno meio-dia já vi um casal de jovens cheirando cocaína na arquibancada do Willie Davis. É, o negócio aqui é violento.


