Arquivo FolhaDesrespeitoA placa proíbe, mas o motorista estaciona na João CândidoPlanejada para ser pequena, Londrina cresceu rápido no número de habitantes e de automóveis. A largura das ruas e avenidas - ainda acanhadas - não cresceu proporcionalmente no mesmo ritmo. O resultado deste desencontro é muito ruim para o trânsito, notadamente no tocante à falta de vagas para estacionamento na região central da Cidade. Este problema é agravado pelo fato de que muitos motoristas não respeitam a sinalização específica e estacionam em espaços impróprios ou proibidos.
Uma rápida caminhada pelo centro é suficiente para encontrar automóveis particulares em cima das calçadas; em faixas amarelas próximas às esquinas; nos espaços reservados a farmácias por mais que os 15 minutos permitidos; em frente a portões; em locais de carros oficiais e de caminhões que transportam valores; em vagas específicas para carros de deficientes físicos.
A Zona Azul conta com cerca de 1.600 vagas. Planejada e supervisionada pela Companhia de Urbanização (Comurb), o estacionamento cobra R$ 0,50 por hora e tem a arrecadação revertida para a manutenção da Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (Epesmel). As dezenas de estacionamentos particulares existentes no centro oferecem aproximadamente outras 1.500 vagas e cobram entre R$ 1,00 e R$ 3,00 por hora, dependendo da localização, da marca do automóvel e do horário de uso. Quando tenta evitar a Zona Azul e os estacionamentos privados por motivos de economia, o motorista logo é abordado pelos ‘‘flanelinhas’’, que não se contentam com menos de R$ 1,00 e ainda ameaçam riscar a lataria ou furar os pneus do carro, em caso de recusa ao pagamento.
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O soldado da Companhia de Trânsito (Ciatran) da Polícia Militar, Edilson Marques dos Santos, diz que não dá para ser muito rigoroso na fiscalização e multa por estacionamento irregular. ‘‘Não cobramos tudo, nem multamos toda vez que há irregularidade. Se isto acontecesse, muitos motoristas acabariam a pé; não teriam dinheiro para pagar todas as multas. Nosso trabalho deve ser mais de dialogar com os infratores, antes de recorrermos à multa. Até porque, temos consciência que o número de veículos na Cidade cresceu demais e faltam vagas para estacionamento no centro.’’
Das cerca de cinco mil multas aplicadas pela Ciatran mensalmente em Londrina, perto de duas mil são motivadas por estacionamento em locais proibidos. A multa varia de R$ 42,50 a R$ 53,00, dependendo do sinal desrespeitado, e tem o valor dobrado no caso de reincidência dentro do prazo de um ano. O comandante da Ciatran, capitão Manoel da Cruz Neto, comenta que o motorista londrinense tem uma deficiência educacional no aspecto de desrespeito à sinalização de estacionamento.
‘‘Por isso, o trabalho de nossos policiais objetiva mais orientar e educar para o trânsito do que multar massivamente. Mas, os motoristas precisam tomar maiores cuidados e não estacionar em calçadas, em filas duplas, nas esquinas. Porque estas irregularidades, além de não resolverem o problema da falta de vagas para estacionamento, acabam piorando o nosso trânsito, já tão caótico’’, afirma o comandante Manoel Neto. Segundo ele, as multas também não são em maior número porque a Ciatran de Londrina atua hoje com 50 policiais, quando necessita de pelo menos 150 homens na fiscalização.
A diretora de operações da Comurb, Lúcia Brandão, informa que está sendo feito um estudo para readequação e, talvez, ampliação do número de vagas oferecidas pela Zona Azul, com o objetivo de aumentar a rotatividade de automóveis na área central. ‘‘Há alguns locais, como na avenida Duque de Caxias, em que a Zona Azul comprovadamente não funciona. Então, vamos tirá-la de lá. Mas há outros locais em que ela precisa ser ampliada. O problema da falta de vagas acontece por dois motivos básicos: o aumento do número de veículos circulando na Cidade e o crescimento da demanda de locais para estacionar, o que ocorreu porque muitas antigas casas e prédios - sem garagens próprias - agora são espaços comerciais ou de prestações de serviços. Isso leva mais gente, em seus carros, todos os dias ao centro’’, explica Lúcia Brandão.
Para o presidente do Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Mário Stamm Junior, a única saída para a falta de vagas é a construção de grandes estacionamentos subterrâneos - embaixo de praças centrais como a Concha Acústica e o Bosque - ou verticais, em edifícios específicos para este objetivo. ‘‘Estamos retomando os estudos que apontam neste caminho, inclusive aproveitando propostas elaboradas em administrações municipais anteriores. A experiência de Buenos Aires (Argentina) e de grandes cidades européias e dos Estados Unidos demonstra que não temos outra opção. Obviamente, o custo dessas obras é elevado e a Prefeitura não tem condições de realizá-las em breve. Por isso, o caminho é a busca de parceria com a iniciativa privada, que exploraria essas modalidades de estacionamento e teria lucros.’’

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