O encerramento da programação oficial da Semana Nacional do Trânsito, que ocorreu ontem na maioria das cidades paranaenses, reacendeu a discussão de um velho problema que castiga os motoristas das médias e grandes localidades do Estado: a falta de vagas para estacionar.
Em Curitiba, o Estacionamento Rotativo, conhecido pela sigla Estar, já começa a avançar pelos bairros. Criado em 1980 para disciplinar e aumentar as vagas na região central da cidade, o sistema já é uma realidade hoje em três bairros: Batel, Bigorrilho e Portão. Comerciantes dos bairros Juvevê e Bacacheri também pedem o controle dos espaços destinados aos carros. Os pedidos estão em estudos.
De acordo com Léa Hatschbach, gerente de fiscalização de trânsito da Urbs (empresa que gerencia o transporte em Curitiba), a existência do Estar aumentou em quatro vezes a capacidade de vagas. São oito mil locais para estacionamento. Se for levado em conta que por dia, cada vaga recebe quatro carros, Léa acredita que o Estar oferece 32 mil lugares.
‘‘Se não houvesse um controle, certamente teríamos casos em que o motorista estacionaria o carro no começo do dia e só iria retirá-lo à noite’’, disse Lea. Há quem não pense assim. O advogado Fernando Piske, 60 anos, defende o direito da liberdade de circular pela cidade sem precisar pagar para estacionar. ‘‘Esse negócio de Estar virou cabide de empregos’’, disse.
Em Londrina, muitos motoristas apelam para estacionamentos particulares, que cobram quase o dobro do valor da taxa do estacionamento regulamentado, a Zona Azul, cujas 1,2 mil vagas são insuficientes. ‘‘Eu tenho que passar três ou quatro vezes pelas mesmas ruas para tentar uma vaga’’, desabafou a dona de casa Silvana Tudisco, que aguardava uma vaga em fila dupla.
O diretor de trânsito e sistema viário do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) Wagner Soeiro Pagnan, reconhece que o problema é crônico. ‘‘A Zona Azul ajuda a amenizar porque induz a rotatividade. Estamos estudando algumas propostas, como a de rebaixar guias que seriam usadas para estacionar. Mas não temos nenhum projeto imediato’’, informou.
O Plano Diretor de Londrina determina que os estabelecimentos comerciais que estão sendo implantados criem estacionamentos próprios. ‘‘Esses estabelecimentos tem que cumprir a legislação ou o projeto de implantação não é aprovado. É uma forma de evitar mais problemas com falta de vagas’’, explicou Pagnan.
A Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (Epesmel) tem a concessão para administrar o estacionamento regulamentado. Além do anel central, a escola também monitora vagas em partes das avenidas Bandeirantes e Higienópolis. Por uma hora de estacionamento é cobrado R$ 0,60. Segundo o diretor-geral da Epesmel, padre Lídio Roman, a arrecadação mensal com o serviço é de aproximadamente R$ 80 mil, que são utilizados para o pagamento de salários dos 240 monitores e para a manutenção da escola, que oferece cursos profissionalizantes para menores carentes.
Em Maringá, o sistema de parquímetro instalado no início do ano na área central está garantindo o rodízio das vagas de estacionamento, mas empurrando os motoristas para as vias próximas ao anel central. Mesmo nos horários de maior movimento, das 11 às 17 horas, quando os bancos estão abertos, é possível encontrar vagas no centro. O problema ‘‘migrou’’ para as áreas livres do controle. A partir das 7h30 o estacionamento da Catedral, o Novo Centro e as ruas próximas começam a ficar tomados por carros de funcionários das empresas instaladas no centro. A situação tende a se agravar com a intenção da prefeitura de eliminar as mais de 300 vagas do canteiro central da Avenida Brasil. ‘‘Vamos criar novas vagas em vias próximas’’, disse o secretário Sidnei Telles.
Em Cascavel, o estacionamento regulamentado está causando prejuízo à prefeitura, segundo a Companhia Cascavelense de Trânsito e Transporte (CCTT). De acordo com o presidente da autarquia Bruno Reuter, o faturamento médio da Zona Azul ‘‘não chega a R$ 25 mil ao mês’’, com a cobrança da taxa de R$ 0,50 por 1 hora. Com as 25 orientadoras de trânsito e com a operacionalização do sistema, os gastos chegam a R$ 30 mil. Na avaliação dele, o sistema precisa ser modernizado para se tornar viável. Em novembro, conforme revelou, deverá ser definida a terceirização do serviço, com a provável implantação de parquímetros.
Blitz Ontem, no encerramento da Semana do Trânsito, o pelotão de Trânsito do 14º Batalhão da Polícia Militar, em Foz do Iguaçu, divulgou o balanço das atividades realizadas no período. Durante sete dias, 10 blitz educativas foram feitas, com a abordagem de 592 veículos. ‘‘Este ano, oferecemos o selo ‘Motorista Nota 10’ para aqueles que estivessem 100% de acordo com a lei. Foram distribuídos 367 selos durante as abordagens’’, informou o pelotão. (Participaram Dimitri do Valle, de Curitiba, Edna Mendes, de Londrina, Emerson Dias, de Foz do Iguaçu, Marcos Zanatta, de Maringá e Paulo Pegoraro, de Cascavel)

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