Estacionamentos públicos viram ponto de mototáxi
Lúcio Horta
De Londrina
Mototaxistas de Londrina estão transformando vagas de estacionamentos públicos de motocicletas, no centro da cidade, em pontos do serviço. As ruas Rio de Janeiro, Benjamin Constant e Sergipe são algumas das mais visadas. O setor de carga e descarga, ao lado do Terminal Urbano, também é utilizado. Alguns mototaxistas chegam a trabalhar com rádios e recebem chamadas da central, como ocorre num ponto de táxi regulamentado.
A situação tem provocado reclamação de motociclistas que necessitam estacionar e não encontram vagas. É o caso do funcionário de uma livraria do centro da cidade que pediu para não ser identificado e que diariamente trafega de moto pelo centro da cidade para fazer entregas ou serviços bancários.
Está demais e atrapalha muito. A gente procura uma vaga e tem que ficar rodando, porque não encontra. É o dia inteiro assim, afirma. Por causa disso, às vezes a gente tem que colocar a moto em lugar errado e arrisca levar uma multa de graça. Por isso tem que acabar.
O técnico de refrigeração José Márcio Ribeiro, que presta serviços de motocicleta, concorda: O duro é que, se a gente estaciona em outro lugar, por falta de vaga, o guarda ou o rapaz da Zona Azul reclama, diz que tem que estacionar em lugar exclusivo para moto. Só que nesses estacionamentos nem sempre tem vaga. E, quando não tem, complica mesmo, destaca. Ele sugere: Seria melhor se eles (mototaxistas) tivessem um estacionamento exclusivo.
A Companhia de Trânsito reconhece o problema mas diz que não pode fazer nada. O motivo: como o serviço de mototáxi não é regulamentado em Londrina todas as empresas, sem exceção, estão trabalhando de forma irregular , a figura do mototaxista, teoricamente, não existe. Portanto, não dá para tentar organizar a presença deles no centro da cidade ou então multá-los simplesmente porque estão ocupando uma vaga pública.
Pela Lei de Trânsito, não temos o que fazer porque não há transgressão. O que temos feito é intensificar as blitze no centro da cidade, verificando os veículos de forma geral, como pneus, documentação e uso do capacete, observa capitão Sérgio Dalbem, comandante da Companhia de Trânsito. Mas sempre abordando o condutor como motociclista, e não como mototaxista.
A diretora de operações da Companhia Municipal de Urbanização, Lúcia Brandão, afirmou ontem que ainda não conhecia o problema na cidade. De forma geral, no entanto, concorda com o capitão. O problema é que o mototáxi é um serviço que a gente não reconhece como existente. Por isso, não tem como notificar ou aplicar penalidade, observou.
Ainda assim, Lúcia Brandão garantiu que iria consultar a assessoria jurídica da Comurb para avaliar melhor o problema e saber se há alguma possibilidade de impedir que mototaxistas formem pontos do serviço no centro da cidade.





