Estação é modelo para tratar efluente
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quinta-feira, 17 de setembro de 1998
Paulo Pegoraro 
Uma estação de tratamento de efluentes que começou a operar ontem em Cascavel servirá como modelo para outros projetos que sejam implantados por indústrias na região. A estação serve para depuração de resíduos, que acabam resultando em grave poluição ambiental. O sistema está localizado no Parque Tecnológico do Oeste, criado pela prefeitura e que hoje integra as três fundações tecnológicas existentes na região: Fundetec (Cascavel), Fundemarc (Marechal Cândido Rondon) e Funtec (Toledo).
A estação permitirá o tratamento de resíduos gerados por laboratórios de patologia animal e físico-químico existentes no parque, estruturas que servem para o desenvolvimento de produtos, principalmente de origem vegetal e animal. Segundo o químico Mário Bracht, presidente da Fundetec, os laboratórios são os primeiros do País a contar com este tipo de estação de tratamento, que resulta em grau zero de poluição. A estrutura custou R$ 15 mil, segundo Bracht, valor pouco significativo se comparado aos ganhos ambientais.
O projeto, elaborado pelo químico Percy Spitzner Júnior, de Maringá, compreende tanques de cloração, de aplicação de cal (com agitadores mecânicos) e de equalização, onde é feito o controle físico-químico e microbiológico. Depois de passarem pelos três processos, os efluentes são filtrados, a parte sólida segue para um tanque de decantação, e a parte líquida pode então ser despejada a céu aberto. Sem estes procedimentos, os resíduos podem contaminar lençóis freáticos e consequentemente a água que abastece populações.
O Instituto Ambiental do Paraná exige o tratamento de efluentes de laboratórios e indústrias, mas muitas empresas resistem a se enquadrar, sendo por isso autuadas constantemente. Precisamos dar exemplo porque a incorporação de novas tecnologias não pode desconsiderar a questão ambiental, diz Mário Bracht. Com a implantação da estação, o Parque avançará em sua disposição de obter a certificação ISO, que atesta a qualidade de serviços.
Os laboratórios podem fazer 100 diferentes análises, e até 3 mil por mês, entre elas a de toxinas em cereais (aflotoxinas). Segundo Bracht, os resultados das análises podem ser entregues no máximo em três semanas, enquanto em outros centros como Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre, aos quais recorriam empresas da região, a demora chega a seis meses devido à grande demanda. O Parque Tecnológico está a 15 quilômetros de Cascavel, em área construída de 3,7 mil metros quadrados.


