Estação de calor faz crescer riscos com aranha marrom
DivulgaçãoPequena perigosaA Secretaria da Saúde volta a recomendar à população que redobre os cuidados para evitar riscos com a pequena mas muito perigosa aranha marrom - a picada pode ser fatal. Quando chega o calor, este tipo de aranha de apenas 4 cm, comum na região de Curitiba, sai do seu esconderijo à noite procurando insetos para comer. No Paraná, a média de ataques da aranha marrom é de 3 mil casos por ano, 2.500 deles apenas em Curitiba.
A aranha, que pode se esconder em roupas, calçados e nas camas, reage quando a pessoa encosta nela, só atacando quando se sente atacada. Sua picada é indolor na hora - a pessoa nem percebe - mas pode resultar em graves problemas de saúde, como insuficiência renal que pode levar à morte. A lesão só começa a doer algumas horas depois, quando a vítima percebe manchas vermelhas e roxas, inchaço, bolhas e coceira.
Quando verifica esses indicativos, a vítima deve procurar imediatamente o Posto de Saúde ou um pronto-socorro mais próximo, preferentemente levando a aranha, mesmo morta. Isso contribui para o socorro adequado. Os médicos recomendam que a pessoa atacada não tome nenhum medicamento antes da orientação. O remédio pode disfarçar os sintomas, dificultar o tratamento e até agravar a lesão provocada pelo veneno.
A aranha tem coloração marrom e pernas longas e finas. Gosta de lugares escuros, quentes e secos. No ambiente externo vive debaixo de cascas de árvores, folhas secas, telhas, buracos, tijolos empilhados, entulhos, muros velhos, entre outros. Dentro das casas, fica atrás de quadros, armários, no meio de livros, caixas de papelão e outros objetos, que não são remexidos com frequência. As teias dessa espécie são irregulares e têm aparência de algodão esfiapado.
A Secretaria da Saúde avisa, também, que pesticidas e venenos não são eficazes contra a aranha marrom - pelo contrário, sua aplicação pode até irritá-la, fazendo com que abandone seu esconderijo, o que aumenta a possibilidade de acidentes.
AntídotoNos casos mais graves, a Secretaria da Saúde trata as vítimas com soro específico contra o veneno da aranha marrom. O Paraná é o primeiro Estado a produzir este soro, que foi desenvolvido pelo Centro de Produção e Pesquisa Imunobiológica da Secretaria Estadual da Saúde.
Os técnicos do CPPI trabalharam três anos para chegar ao antídoto, mas garantiram ao Estado auto-suficiência no atendimento das vítimas de acidentes loxoscélicos.
Antes desse soro, o tratamento era feito com soro não-específico para acidentes com a Loxosceles, que tinha de ser adquirido no Instituto Butantã de São Paulo. Agora, com o soro antiloxoscélico, o paciente não precisa se expor a outros tipos de anticorpos desnecessariamente.
Para produzir um lote do antídoto, é preciso coletar o veneno de 8 mil aranhas, extraído através de eletrochoque. Depois é feita a seleção dos cavalos com 3 a 4 anos de idade que são utilizados para a imunização.
Quando a produção de anticorpos atinge o nível necessário, é realizada a sangria para a obtenção do plasma imunizado. Antes de ser colocado à disposição dos postos de saúde e serviços de atendimento, o soro passa por processos de purificação e controle de qualidade.





