Os profissionais admitem que uma das características que tornam os textos jurídicos pouco acessíveis aos leigos é o extenso uso de expressões latinas, mas afirmam que as mesmas não podem ser eliminadas. Segundo o professor de Linguagem Forense da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Celso Leopoldo Pagnan, muitas vezes se usa o latim no Direito por pedantismo, mas em certas ocasiões os termos são necessários para garantir a precisão do discurso.
'''Habeas corpus', que é um termo comum, possui uma concisão de sentido que não encontra similar no Português. 'Ad judicia' (procuração judicial) e 'ad negotia' (procuração extra-judicial) são outros exemplos de expressões que têm um significado preciso'', menciona. A explicação para a frequência de latinismos nos textos jurídicos está na própria origem do Direito moderno, que tem base no Direito Romano. ''Não se pode abandonar 100% as expressões consideradas técnicas, sob pena de cair na imprecisão, ao mesmo tempo que não se pode exagerar, sob pena de perder a clareza.''
Segundo ele, o problema é que alguns acadêmicos e profissionais acabam criando expressões esdrúxulas na tentativa de usar o latim para demonstrar intelectualidade. ''Alguns falam 'dataveníssimo' (algo como superlativo de ''data venia''). Isso não existe.''
A advogada e professora da UEL Letícia Baddauy diz que os profissionais do meio jurídico abrem mão de traduzir certas expressões latinas porque elas ''resumem idéias, princípios do direito penal''. Um exemplo seria a expressão ''nulla poena sine lege'' - no bom português, ''a pena sem uma lei que a defina previamente é nula''.
O advogado Plínio Rodrigues afirma que o uso de latinismos no Direito não tem como objetivo demonstrar erudição, mas dar mais qualidade aos textos e argumentações. ''A citação de uma palavra ou expressão latinas, desde que acompanhadas de sua tradução - por elegância - enriquece o arrazoado. Não obstante, existem procedimentos jurídicos que têm nomes latinos, como ''Vistoria ad perpetuam rei memoriam (para perpetrar a memória da coisa). Esta tradição não pode ser quebrada.'' (V.N.)

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