Está livre rapaz que foi preso por engano
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de junho de 2002
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Exatos quatro meses e seis dias depois de ser preso por engano, o vendedor Maikon Júnior de Souza, 22 anos, ganhou de volta a liberdade, no final da tarde de anteontem. Ele foi preso no dia 6 de fevereiro deste ano, após ser confundido com um assaltante por duas testemunhas. Mesmo alegando inocência, Maikon precisou aguardar o julgamento desse processo e de uma outra acusação de tentar favorecer um preso para ter o alvará de soltura liberado pela Vara de Execuções Penais (VEP) de Londrina.
O vendedor já havia sido condenado a seis anos e dois meses por roubo, em 1999, e cumpria liberdade condicional quando foi detido novamente. Por isso, teve que aguardar na carceragem da Casa de Custódia de Londrina (CCL) o julgamento das acusações de roubo e da tentativa de favorecer o réu Valdecir Rangel, preso por porte ilegal de arma.
Maikon foi preso em 6 de fevereiro deste ano por policiais militares do Pelotão de Choque, sob a acusação de assalto a um bingo na Rua Quintino Bocaiúva (área central). Dois funcionários do estabelecimento o reconheceram erroneamente, como ficou comprovado nos autos, como um dos assaltantes que haviam roubado R$ 15 mil três dias antes. Segundo a defesa, ele teria sido confundido por causa da cor o vendedor é negro.
O vendedor negou a autoria do crime e afirmou que na data do assalto estava com familiares num balneário em Santa Fé, próximo a Maringá. Quatro testemunhas, incluindo um policial militar, confirmaram o álibi do vendedor. Em abril, o verdadeiro assaltante do bingo foi preso e, em 3 de maio, o vendedor foi absolvido por falta de provas.
Mas ainda restava a acusação de tentativa de favorecimento ao preso Valdecir. A sentença foi dada pela juiza da 5ª Vara Criminal, Oneide Negrão de Freitas, no dia 11 de junho. Maikon foi absolvido e teve o benefício da liberdade condicional restituído pelo juiz da VEP, Roberto do Valle. De acordo com o juiz, pelo menos outros 30 presos em Londrina estão na mesma situação: gozavam de liberdade condicional, foram presos acusados de cometer faltas graves e agora aguardam o julgamento de sentença favorável para terem de volta o benefício.


