Encostados num muro e sabendo que iriam à Delegacia do Adolescente, os gêmeos Rodrigo e Rogério, 17 anos, juraram que anteontem foi a última vez que invadiram um ônibus. Para eles, porém, parece difícil cumprir a promessa. Filhos de um servente de pedreiro, os estudantes usam o vale-transporte da mãe, que é zeladora, para ir à escola. Furam a catraca, então, para economizar o meio de transporte da mãe.
Nem todos, no entanto, têm o mesmo problema. Sentada num banco da delegacia, Daina, 16 anos, filha de um dono de casa lotérica, tem dinheiro para pagar o passe. Foi detida, segundo ela própria, porque quis acompanhar as amigas que haviam invadido o ônibus.
Apesar de casos como o de Daiana, o presidente da União Paranaense dos Estudantes (UPE), Joel Benin, considerou arbitrária e ditatorial a ação da Urbs. ‘‘Esse é um problema que não se resolve com repressão’’, disse.
Essa é a posição do presidente da União Paranaense dos Estudantes de 1º e 2º Graus, Edmir Maciel. Segundo ele, Curitiva deve seguir exemplos de cidades como Porto Alegre, onde um fundo garante passe livre com recursos de empresas que anunciam nos ônibus.(J.A.)

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