Esses eternos insatisfeitos
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de julho de 1998
Anna Camanducaia 
A cada minuto, milhares de pessoas se vêem insatisfeitas com sua aparência, seu comportamento ou sua profissão. A busca pela satisfação completa e perfeição é comum, mas também interminável. Nas mulheres, o cuidado com a estética do corpo e do rosto é fundamental. Segundo a psicóloga Rosa Maria Marini Marioto, o visual é importante porque o ser humano se constitui a partir dos olhos do outro.
Às vezes, um simples corte de cabelo basta para dar um ar diferente. Em outras, a intenção é fazer mudança geral: limpeza de pele, massagem estética para modelar o corpo, regime para perder o excesso de peso, boa maquiagem, penteado especial, roupa bonita, e pronto: o visual está completo. Mas será que, depois de tudo isso, a mulher está se achando perfeita? Não. O ideal de perfeição jamais será atingido, sempre nos faltará alguma coisa, diz Rosa.
A pedagoga Neusa Bueno, de 44 anos, sempre cuidou do corpo em clínicas especializadas. Hoje, faz massagem estética e placas três vezes por semana para diminuir a flacidez e acabar com o pouco de celulite que tem. Também tem acompanhamento de uma nutriocinista para reeducar a alimentação e perder pelo menos dois quilos. Apesar de não estar gorda, sinto-me gorda.
Apesar da celulite e do peso extra que Neusa acha que tem, o que a incomoda realmente é o rosto. Se ela pudesse, tiraria os óculos, acabaria com as rugas de expressão e com algumas marcas de acne que ficaram dos tempos da adolescência. Na verdade, também estou insatisfeita com a sociedade que discrimina as mulheres que não tem um rosto perfeito.
As pessoas que não querem mudanças definitivas no físico ou no rosto escolhem o cabeleireiro para alterar a aparência. A especialista em cabelo do Charlotte Hair, Vania Giannini, diz que a maioria quer manter a aparência por causa da praticidade. Os pedidos de mudanças radicais geralmente são derivados de distúrbios emocionais, como stress e depressão, afirma. Nesses casos, conversamos com a cliente e fazemos uma mudança gradativa.
Na sexta-feira, a vendedora Cristina Tomaz Corrêa, de 28 anos, resolveu repicar o cabelo, que antes estava reto, e deixá-lo mais escuro. Com o tempo todo voltado para a filha de dez meses, Cristina acabou se descuidando.
Não são apenas as mulheres que querem mudar. O estudante Wellington Augusto Correia, de 18 anos, já usou vários tipos de cabelo, do careca ao cabelo comprido. Nesta semana, Wellington estava novamente mudando o visual. Fazia quatro meses que ele não cortava o cabelo. Estava deixando crescer para usar o corte de Leonardo Di Caprio. Como a febre pelo ator parece ter passado, decidiu por um estilo à la Ricky Martin. De cara nova, Wellington não perdeu a oportunidade: Fiquei melhor que o Ricky Martin, afinal sou mais bonito que ele.


