'Esse cara ainda está aqui?'
''Em 1935, a Chevrolet inaugurava a primeira agência de automóveis de Londrina. Em 1949, a Chevrolet inicia a construção da sua nova sede'', informa o anúncio no álbum ''Norte do Paraná, Terra Abençoada''. Parece a ''certidão de nascimento'' do Edifício Autolon, pois quem virasse a página encontraria, no verso, fotografias mostrando a obra em evolução, a cargo da Predial Construtora de Londrina Ltda.
Situa-se na Rua Minas Gerais esquina com a Maranhão (quadra da Praça Willie Davids), espaço anteriormente dos escritórios de madeira da Companhia de Terras Norte do Paraná transferido à Autolon, certamente por influência de Arthur Thomas, dirigente das duas empresas.
Autolon, sigla de Auto-Comercial de Londrina Ltda., sucessora desde 1941 da Companhia de Automóveis de Londrina S.A., que fora a primeira Agência Chevrolet, em 1935. Entre os sócios da Autolon estavam Arthur Thomas, Celso Garcia Cid e Jordão Santoro, seu principal executivo, relembra Omeletino (Tino) Benato, que ingressou na empresa em 1939 e praticamente inaugurou o Edifício Autolon. Isto em dezembro de 1951, ao transferir a seção de autopeças, a primeira a ocupar espaço no térreo.
''Organizei o estoque com um novo sistema, kardex, substituindo o anterior de fichas e etiquetas. Aí convoquei a turma e fizemos a mudança'', recorda Tino, que está com 82 anos. No Autolon, ele se tornou gerente do setor e permaneceu até 1959; a empresa seria desativada na década de 60.
Ao mesmo tempo que Tino Benato punha a autopeças embaixo, Antônio Ezídio da Silva instalava a alfaiataria no quinto andar, sala 510. ''Fui o primeiro no prédio'', afirma Ezídio, 75 anos, de uma família de Minas Gerais que chegou a Londrina em 1943. Repentinamente, entre as indagações do repórter, Ezídio se dá conta que está no Autolon há 60 anos e nesse tempo foi síndico por 35. ''Ezídio Alfaiate'', eis a referência mais duradoura do Autolon. ''Esse cara ainda está aqui?'', vez ou outra alguém pede a confirmação do porteiro.
Já se foram milhares de ternos, mas a confecção continua, naturalmente em ritmo lento relativamente à procura nas décadas de 50 e 60. Persiste um certo número de clientes alheios à produção industrial que chega às lojas, entre os quais Ezídio cita Serafim Meneghel, Mauro Viotto e Roberto Vezozzo. Serafim, após uma longa ausência, apareceu recentemente. ''Tudo o que não fizemos em oito anos, vamos fazer agora'', foi logo advertindo. E se abancou para uma longa conversa, segundo Ezídio, provavelmente o último dos alfaiates veteranos de Londrina em ação. (W.S.)





