Londrina - Doença que atinge, em média, uma a cada cem mil pessoas por ano, a esquizofrenia ganhou as páginas dos jornais recentemente por ter sido associada ao cometimento de crimes que resultaram em ferimentos graves e até mesmo na morte de pessoas. O cineasta Eduardo Coutinho, de 80 anos, foi morto em fevereiro pelo próprio filho, supostamente acometido por um surto de esquizofrenia. Recentemente, uma mulher perdeu o braço após ser atirada nos trilhos do metrô de São Paulo por um homem suspeito de ter esquizofrenia e estar em um momento de crise.
Em Londrina, no ano passado, três mulheres e uma criança foram assassinadas por um homem em surto esquizofrênico que matou a própria mãe e três vizinhas: a religiosa Vilma dos Santos, conhecida como Ya Mukumbi, a mãe dela e a neta de 10 anos.
A psiquiatra Jaqueline Albieri, do Instituto de Psicoterapia e Análise do Comportamento (Psicc) em Londrina, explica que a esquizofrenia é um transtorno psiquiátrico grave, complexo e debilitante que atinge cerca de 1% da população mundial. A principal característica é a perda de contato com a realidade. É a chamada psicose, caracterizada por uma ruptura na realidade que se manifesta através de uma combinação de delírios, alucinações, comportamento caótico e pensamentos desorganizados ou incoerentes.
O psicólogo Murilo Nogueira Ramos, também da Psicc, acrescenta que a pessoa com esquizofrenia pode ficar com o olhar perdido, indiferente a tudo o que se passa ao redor ou, nos exemplos mais clássicos, ter alucinações e delírios. "Ela ouve vozes que ninguém mais escuta pensa estar sendo vítima de um complô diabólico tramado para destruí-la.", diz.

Sintomas iniciais
Outras doenças podem ter como característica a psicose e devem ser descartadas antes de se fazer o diagnóstico de esquizofrenia, que costuma atingir adultos jovens, em geral após os 18 anos, e acomete homens e mulheres. Entre as causas de mortalidade, o risco de suicídio é o mais importante, chegando a 5%, enquanto na população geral é de 1%.
Jaqueline enfatiza que a esquizofrenia apresenta sintomas iniciais muito antes do seu aparecimento claro. "São os chamados sintomas prodrômicos: piora no desempenho escolar, isolamento social, mudança de comportamento", explica. Quando ocorre a manifestação clara, a doença apresenta os sintomas positivos, relacionados com delírios (confusão mental) e alucinações (as auditivas e visuais com vultos são as mais frequentes). E os sintomas negativos, relacionados ao deficit de aptidões mentais. "A pessoa revela falta de motivação, ficando apática, isolando-se socialmente. O pensamento empobrece e demonstra total indiferença emocional".
A médica esclarece que é sempre importante a avaliação de um psiquiatra para a identificação do quadro e definição do diagnóstico. Explica, ainda, que não existem exames que evidenciam a doença, sendo seu diagnóstico realizado por avaliação clínica e histórico do paciente.

Multidisciplinar
O tratamento ideal, segundo os especialistas, é multidisciplinar e demanda medicamentos, intervenções psicossociais e medidas para evitar as hospitalizações frequentes. Quando realizado de forma adequada, o tratamento auxilia o paciente a ter uma vida normal, com melhora nas suas relações pessoais e até profissionais. "Terapia Analítica Comportamental é bastante eficiente no aprendizado de repertórios comportamentais adequados que produzam uma vida com mais qualidade", complementa Murilo.

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