Em reunião realizada ontem à tarde no Jardim Perobal (zona sul), moradores do bairro discutiram com representantes da Secretaria Municipal de Saúde a contaminação por esquistossomose de três habitantes da região este ano. ''Quando soube dos casos, fiquei assustada. Em 1996, várias crianças morreram na região vitimadas por verminoses. Ter quadros clínicos de esquistossomose me parece um retrocesso'', disse Rosalina Batista, presidente do Conselho de Saúde da região sul, que organizou o encontro.
Entretanto, o coordenador da equipe de combate à esquistossomose da Secretaria de Saúde, Jaime Clementino de Castro, explicou que os moradores contaminados adquiriram a doença em outras regiões um em Ibiporã e outro na Vila Marízia (zona norte); o terceiro caso não teve sua localidade especificada, mas sabe-se que a contaminação não aconteceu no Perobal.
''Nunca houve caso de contaminação por esquistossomose nesta região'', explicou Clementino. Na reunião, os moradores apontaram o Córrego Cristal e uma lagoa atrás de um terreno que pertence a uma loteadora, nas imediações do bairro, como possíveis focos de contaminação, mas Clementino disse que essa hipótese é improvável. ''O caramujo que hospeda a larva que transmite a doença ao homem sobrevive apenas em locais com água doce e parada, e o Cristal possui correnteza. Até foi registrada presença de caramujos em lagoas com água parada que são afluentes do córrego, mas são focos isolados, que secam fácil, e com pouca gente em volta. Sobre a lagoa atrás do terreno, ela é formada por água da chuva e também seca facilmente'', explicou o coordenador.
A região com mais ocorrências de esquistossomose em Londrina é a leste, nas imediações dos córregos Bom Retiro e Água das Pedras, em bairros como o Santa Fé e Interlagos. Em 2002, a cidade registrou 40 casos da doença; no ano passado, foram 34 ocorrências, e, em 2000, 42.
Ao final da reunião, ficou acordado que o Conselho de Saúde da região sul receberia nas próximas semanas dados mais precisos sobre verminoses na região, a serem fornecidos pela Vigilância Sanitária e por outros setores da Secretaria de Saúde, para que em seguida novas atitudes sejam tomadas.
Segundo Josemari Sawczuk de Arruda Campos, gerente de epidemiologia da Secretaria, a prefeitura está realizando um estudo que apontará números exatos sobre a população vitimada por verminoses em Londrina. Em números preliminares, de 60 a 70% dos habitantes da região sul são portadores de alguma doença relacionada a vermes. As doenças com mais incidência são giardíase, amebíase e lombrigas. Num estudo realizado em 2000, os jardins Santa Fé e Monte Cristo (zona oeste) apresentaram 62% de sua população contaminada por vermes, em 2.379 exames realizados. ''Com os dados deste novo levantamento nas mãos, poderemos traçar novas estratégias de atuação, principalmente na área preventiva'', afirmou Josemari.

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