Esquentam as discussões sobre o Karst
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de abril de 1997
Ana Cristina Pereira 
Da Sucursal
Kraw PenasRisco sob o tetoMoradora de Colombo aponta rachadura na parede da casa em que mora, provocada pela exploração do aquífero: população teme consequências mais sériasO adiamento, na última quinta-feira, da audiência pública para analisar o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) do Aquífero Karst inflamou as discussões sobre as consequências da exploração pela Sanepar dos poços em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. Ambientalistas e geólogos alegam que os estudos ambientais feitos até agora pela Sanepar são insuficientes.
Para o geólogo Eduardo Salamuni, que coordenou a auditoria encomendada pelo Fórum Ambientalista, a Sanepar se precipitou em começar em setembro do ano passado a retirar água dos poços, ainda em fase de teste. Segundo ele, o corpo técnico da Sanepar tem como filosofia explorar e ao mesmo tempo fazer os estudos. Deve-se primeiro esgotar todas as formas de estudo, defende ele.
Segundo o geólogo, os estudos ambientais deveriam enfocar questões relacionadas à estrutura física do terreno e aspectos do meio sociológico á- como a ocupação urbana vai interagir com a exploração do aquífero.
Um dos riscos da falta destes estudos é a contaminação da água do Karst com agrotóxico, lixo sólido e esgoto. Não há monitoramento nem estudo que quantifique onde está sendo contaminado, destaca.
A coordenadora do Fórum Ambientalista, Teresa Urban, diz que o Rima da Sanepar é delimitado e limitado à região da Fervida, em Colombo. Não aceitamos os estudos como o Rima. Segundo ela, o fórum enviou à Sanepar várias propostas de complementação do Rima. Não se pode fazer com o estoque subterrâneo de água o mesmo que foi feito com a bacia do Iguaçu, acrescenta.
A polêmica em torno no aquífero é mais forte que a realidade, afirma o geólogo Ernani Francisco da Rosa Filho, coordenador do projeto Karst por parte da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Segundo ele, já foram realizados vários estudos, entre eles, o mapa geológico para conhecimento do mecanismo geral de escoamento de água do subsolo. A equipe também trabalha na medição da vazão dos rios e das fontes da região para saber o limite de água que pode ser retirado do subsolo.
A Sanepar fez todos os estudos para a proteção da área do aquífero, declara o coordenador de pesquisa do Karst da Sanepar, Hugo Collodel. O Rima recomenda, além da preservação, o planejamento global do uso e manejo de todos os recursos naturais.


