Esquenta polêmica sobre navegação no Igapó
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de julho de 2002
Ana Setti<br> Reportagem Local 
Reunião realizada ontem de manhã, na sede do Iate Clube de Londrina, colocou em confronto as posições da prefeitura, representada pelo ambientalista João Batista Moreira Souza, e de moradores e usuários da região, quanto ao uso do Lago Igapó. A utilização do lago para navegação continua proibida por decreto municipal, aguardando a regularização total do nível de água, o que deve ocorrer em 15 dias.
A intenção da prefeitura e do Conselho Municipal de Meio Ambiente, segundo afirmou João Batista, é aproveitar o momento de proibição para definir e implantar uma política municipal de regulamentação do uso do lago, que abrangeria desde riscos à poluição ambiental até a ampliação de áreas destinadas à prática de esportes náuticos, atividades recreativas e de pesca, restringindo, para isso, o tráfego de embarcações motorizadas. João Batista é coordenador dos Projetos de Bacias Hidrográficas, do Conselho Municipal de Meio Ambiente.
Os moradores da região e usuários do lago não receberam bem as restrições sugeridas pela prefeitura. Flávio Meneghetti, há 30 anos morando no local, concordou que deve haver um controle em relação ao uso do lago e empenho em mantê-lo despoluído, mas não admitiu o cerceamento. ''Respeitem nosso direito de ir e vir sobre a água'', reagiu. Frederico Teófilo, outro morador local, argumentou em relação à poluição ambiental. ''Até que ponto'', disse, ''as embarcações que circulam sobre o lago Igapó podem ser responsabilizadas pela poluição, já que dejetos são depositados ao longo de toda a bacia do Cambezinho, que o forma?''
João Batista havia afirmado que as embarcações, devido ao combustível utilizado e ao movimento que imprimem às águas do lago, são causadoras de danos ao meio ambiente.
Apesar da reação inflamada dos participantes quanto à regulamentação do uso do lago, reunião terminou com uma agenda de assuntos que vão ser analisados pelos moradores da região dos lagos, para que, a partir daí, possam ser feitas sugestões de regulamentação a ser encaminhadas para a prefeitura.
Os pontos principais da agenda são: limitação da área de navegação; tipo de óleo a ser utilizado pelas embarcações (verificando-se a viabilidade de usar óleo biodegradável); definição de horários de utilização das áreas por atividade náutica; obrigatoriedade de utilização de silenciador em jetski (poluição sonora); proibição parcial ou total de navegação nos lagos, em caso de campeonatos; quantidade de embarcações que poderiam circular simultaneamente; e controle das embarcações pela Secretaria do Meio Ambiente.
Mas a polêmica em relação ao lago deve continuar, pois João Batista também informou que está sendo estudado o pagamento de uma taxa de utilização das águas de toda a bacia do Cambezinho, que inclui o lago. Estavam presentes à reunião o comodoro do Iate, Moacir Sgarioni, e o futuro comodoro, José Silvio Cernac de Freitas.


