Campo Mourão - O esquema de corrupção envolvendo policiais rodoviários de Campo Mourão e Maringá cobrava um ''pedágio'' que variava de R$ 50,00 a R$ 100,00 de cada ônibus de turismo que passava pela balança da PR-317. Por mês, o esquema chegava a render R$ 6 mil para cada policial envolvido. Desde a semana passada, quatro policiais rodoviários e um empresário estão presos acusados de participação no caso.
Os números estão no processo que tramita no Fórum de Peabiru (12 km ao norte de Campo Mourão) e são atribuídos ao empresário Amauri Lopes, preso há oito dias em Araruna. Ele teria revelado os valores numa conversa em outubro do ano passado com a comandante do 2º Pelotão da 4 Companhia da Polícia Rodoviária em Campo Mourão, tenente Cláudia Ferreira da Silva. Em depoimento, Lopes negou essa conversa.
De acordo com a tenente Cláudia, o empresário esteve na casa dela para convidá-la para participar de uma reunião no Rotary Club e acabou chamando-a também para participar do esquema de propina. O empresário, que é sócio de um depósito de material de construção em Campo Mourão, teria dito em outras conversas que Cláudia precisava se omitir para que os policiais pudessem ''trabalhar''.
Lopes teria afirmado ainda que o esquema era maior do que Cláudia poderia imaginar e que o comandante da 4 Companhia de Maringá, capitão Esmeraldo Mançano, era apenas ''um dos chefes''. Cláudia, que se infiltrou no esquema com autorização judicial, recebeu R$ 1,4 mil em dois repasses feitos por Lopes. Em dezembro, o empresário teria dito a ela que o esquema iria ''dar uma parada'' porque a PM estava investigando a área.
No depoimento que deu ao Ministério Público na semana passada, depois de ser preso, Lopes negou a cobrança de propina dos ônibus que levam sacoleiros para o Paraguai. Ele disse que teve poucas conversas com a tenente Cláudia e que uma delas foi o convite para que ela participasse da reunião do Rotary. No processo, no entanto, foram anexadas três fitas cassetes com supostos diálogos entre Cláudia e Lopes.
Além de Lopes e Mançano, tiveram prisões decretadas o tenente William Dieimes Silveira e os sargentos Divonzir Ferreira da Silva e Valdemir Aparecido Bonifácio. Os policiais envolvidos se apresentaram entre sexta-feira à noite e ontem de manhã e estão recolhidos em batalhões em Campo Mourão, Maringá e Curitiba. O MP investiga agora o possível envolvimento de outros policiais no caso.

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