Esqueletos de construções 'assombram' Londrina
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quarta-feira, 28 de julho de 2010
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
O boom da construção civil dos últimos anos pode ser observado pelo aumento do número de prédios em Londrina. Levantamento feito na Secretaria Municipal de Obras aponta que o total de metros quadrados de edifícios residenciais construídos saltou de 781 mil entre 2000 e 2004 para 1,8 milhão entre 2005 e 2010 - mais de 141%. Considerando todos os tipos de construções, o salto foi de 3,874 milhões - de 2000 a 2004 - para 5,310 milhões de m2 entre 2005 e 2010.
Se o mercado dos anos 2000 é recheado de prosperidade, na década anterior a história deixa rastros de dificuldades. É o que se constata ao andar pela cidade e encontrar empreendimentos com suas construções paradas, a maioria há mais de dez anos. Em outubro de 2009, a FOLHA registrou o imbróglio que permeia os prédios da construtora Encol, que já foi uma das maiores do Brasil. Com a falência da empresa em 1997, cinco edifícios residenciais - quatro na Gleba Palhano (região Sul) e um na Rua Paranaguá (Centro) - que tiveram suas obras iniciadas, não passaram da fase de ''esqueletos''. A região da Gleba Palhano, onde está a maior parte dos prédios da Encol, abriga 53% dos edifícios construídos nos últimos dez anos em Londrina.
Mas há outros esqueletos assombrando Londrina. O maior deles é de aço e está na Avenida Leste-Oeste, ao lado do Cismepar. Projetado inicialmente para ser um shopping temático do setor automotivo, com 30 mil metros quadrados, o prédio teve seu projeto alterado e ampliado para 50 mil metros quadrados para incorporar uma estrutura de lazer e entretenimento. Além do local para artigos automotivos, o shopping teria dez salas de cinema pelo sistema Multiplex, três lojas âncoras de departamento e confecções, e mais de 200 lojas, 800 vagas de estacionamento, divididos em cinco pisos.
O projeto audacioso foi anunciado pela Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) em 1997 e teria o investimento de cerca de US$ 8 milhões. O Auto Shopping seria inaugurado em abril de 1998. As obras, contudo, estão paradas há 13 anos. A estrutura imponente está fechada por tapumes. No seu interior, vários blocos de concretos não utilizados. Comerciantes da região relatam que depois de muitos furtos de ferro e aço, um caseiro passou a morar no local, em uma casa construída dentro da propriedade.
Segundo o proprietário do empreendimento, Alessandro Victorelli, as obras pararam em função de um problema com o agente financeiro. ''Esse problema nos afetou diretamente. Mas posso garantir que o prédio não está abandonado, apenas com as obras paradas. Estamos no caminho de buscar uma solução, mas não posso precisar uma data. Se pudesse, retomaria as obras amanhã, mas tudo depende de muitos fatores'', destaca. O empresário estima que haja cerca de 1,5 toneladas de aço no empreendimento.
O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), financiador de parte do empreendimento, por meio de sua assessoria, não informou qual o valor financiado e em que situação está o empreendimento. ''A construção está embargada. Há ações tramitando na Justiça, já que a obra é dada como garantia em contrato.'' Dados da Secretaria de Fazenda do município mostram que o IPTU não é pago desde 1997, o que, inclusive, gerou cobrança judicial, num terreno de 9,6 mil m2 avaliado em R$ 1,6 milhão.


