Espuma denuncia
presença de
produto químico
Nos fundos da propriedade do moveleiro Valdemiro Grande, 50 anos, dá para se ter uma idéia de como o Rio Uvu está morrendo pelos desmoronamentos de encostas e a poluição. Por causa de um desabamento de pedras, o curso das águas foi modificado num trecho do rio, que se resume a um pequeno filete que mede cerca de dez metros de extensão. A presença de espuma no local também denuncia que o Uvu vem recebendo resíduos de produtos químicos de alguma empresa de Santa Felicidade ou região. O Uvu é um dos rios que deságua no Parque Barigui.
‘‘Está todo mundo no desespero. Isso aqui não pode ficar assim’’, apela Grande. Ele acredita que o mau cheiro verificado no Barigui seja oriundo dos poluentes trazidos pelo Uvu. A água turva do rio deixou de ser confiável até mesmo para os animais. O morador revelou que teve de interromper uma criação de carneiros que mantinha num terreno às margens do Uvu para evitar que eles morressem contaminados pela água poluída. ‘‘Os meus carneiros não podiam beber isso aqui porque iriam morrer’’, justifica.
Para conter o avanço da erosão, o moveleiro tentou plantar mudas de pinheiro e cedro nas margens do rio que corta seu terreno. Porém, as enxurradas trataram de carregar as árvores. A maior preocupação agora é evitar novas perdas de terreno. A cada temporal mais forte, o moveleiro diz que as encostas vêm desmoronando numa escala cada vez maior. A principal edificação que está mais próxima de ser levada pelas águas é o barracão onde ele mantém sua empresa.
Os filhos de Valdemiro Grande já sugeriram ao pai que se mudassem para outro lugar. Entretanto, o moveleiro diz que não vai embora do local que fez parte de todo sua vida. ‘‘Nasci aqui e apesar de tudo não quero mudar’’, diz. Quando a temperatura está mais elevada, ele conta que a espuma cobre todo o leito do rio. ‘‘Esse problema de poluição vem crescendo há 15 anos. Está uma coisa de louco’’, afirma. (D.V.)

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