Esposas de PMs são punidas pelo protesto
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sexta-feira, 21 de setembro de 2001
Andréa Lombardo<br> De Curitiba 
Duas mulheres de policiais militares que participaram de manifestações em Curitiba, no movimento das esposas por melhorias salariais para os maridos, estão sendo obrigadas a pagar um kit de medicamentos cada uma, no valor de R$ 60,00, para doação a crianças com câncer atendidas no Hospital de Clínicas. A decisão é do juiz Francisco Macedo Junior, do Juizado Especial Cível e Criminal de Curitiba.
Rosicler Márcia Bonato e Marilza Ferreira de Oliveira participaram do primeiro protesto, iniciado em 17 de maio, quando um grupo de mulheres fechou a entrada do Centro de Suprimento de Material (CSM) da Polícia Militar. A unidade - que fica na Avenida Iguaçu, no bairro Rebouças - é responsável pelo abastecimento das viaturas da Polícia Militar. A intenção da manifestação era impedir que os veículos que estavam nas ruas continuassem circulando em Curitiba. ''Mas nos preocupamos em liberar a entrada de ambulâncias do Siate e as viaturas do Corpo de Bombeiros'', lembraram as mulheres.
Deitadas em frente ao portão da unidade, Rosicler e Marilza tentavam impedir a passagem das viaturas. Rosicler relatou que as duas foram retiradas à força pela Tropa de Choque da PM e encaminhadas ao 2º Distrito Policial. Sob a acusação de desobediência, as mulheres passaram a responder processo judicial. ''Nós teríamos que passar por mais uma audiência para depois ir a julgamento'', afirmou Rosicler. ''Por isso, decidimos aceitar a transação penal.''
Rosicler disse não considerar justa a pena imposta a ela e sua colega, mas admitiu preferir pagá-la do que ter que enfrentar uma nova audiência. ''Já estivemos duas vezes no Tribunal e a cada audiência temos que levar advogado e testemunhas, o que para nós acaba sendo um transtorno.''
O presidente da Associação de Defesa dos Militares Ativos, Inativos e Pensionistas (Amai), Elizeu Ferraz Furquim, criticou a determinação do juiz. Para ele, a punição, mesmo que pequena, ''é um absurdo''. ''Estão punindo mulheres que estavam apenas defendendo os direitos da classe'', declarou.


