Esposas de PMs pedem ajuda para soldado baleado
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quarta-feira, 29 de março de 2006
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Depois de superar o sofrimento de ter uma bala retirada da coluna, o policial militar (PM) de Londrina Jorge Kobayashi conta agora com a solidariedade dos colegas de trabalho e da comunidade para quitar as dívidas médicas que adquiriu. A operação exigiu a colocação de uma prótese de R$ 19,5 mil custo que ainda não foi coberto pelo Sistema de Assistência à Saúde (SAS) dos funcionários públicos do Estado. O cheque, no valor integral da dívida, será descontado hoje na conta do irmão do policial, ainda sob o risco de ficar paraplégico.
Kobayashi foi baleado por dois adolescentes no dia 11 de março. Eles tentavam assaltar um posto da Zona Norte quando foram surpreendidos pelo policial, em horário de folga. Depois de uma briga, um dos adolescentes disparou contra o PM, atingindo-o as costas. Os jovens foram detidos dias depois.
A operação para retirada da bala, identificada como artrodese com instrumentação, foi realizada em regime de urgência na semana passada por uma equipe da Santa Casa, com custos cobertos pelo SAS. O PM passa bem. A compra da prótese, no entanto, ficou de fora do orçamento do Estado. No documento para autorização do procedimento, apresentado à reportagem pela presidente do Movimento das Esposas de Policiais Militares de Londrina e Região (Mepom), Vera Rubbo, consta apenas ''Artrodese não autorizada''.
Com a urgência que a situação exigia o PM ainda não recuperou o movimento nas pernas e corre o risco de ficar paraplégico Vera e o irmão do policial, Paulo Kobayashi, saíram em busca da prótese. O primeiro valor, de R$ 25 mil, mostrou-se inviável. ''Mas o Paulo conseguiu negociar com uma empresa de Marília (SP) e encontrou o equipamento por R$ 19,5 mil'', conta Vera.
O Mepom tenta agora fazer com que o Fundo de Assistência à Saúde da PM (FAS-PM), gerenciado pelo Hospital da PM em Curitiba, ajude a bancar parte dos custos da prótese. O orçamento feito pelo FAS-PM ficou em R$ 11 mil. ''Mesmo que o custeio seja aprovado, a família de Kobayashi ainda vai precisar de R$ 8,5 mil'', contabiliza Vera.
Jorge Kobayashi tem 37 anos, é separado e tem dois filhos, de 18 e 14 anos. Mora em Londrina com um colega de trabalho e tem em Sertaneja (63 km ao Norte de Cornélio Procópio) os familiares mais próximos. A ex-esposa mora com os filhos em Londrina. A reportagem tentou falar com o PM na manhã de ontem, mas foi informada pela assessoria de imprensa da Santa Casa que o soldado não estava se sentindo bem. ''O cheque cai na minha conta amanhã (hoje). Estou tentando um empréstimo para cobrí-lo'', disse Paulo, que trabalha com venda de insumos agrícolas.
''Tem muita gente nos ajudando e agradecemos o pessoal do Mepom, que está nos dando muita força'', disse o irmão do soldado. ''Mas não podíamos ficar à espera do Estado. Se a PM não puder bancar parte dos custos, vamos nos sacrificar, mas nós o faremos'', completou.
Serviço O Mepom colocou uma conta a bancária à disposição de quem puder colaborar. Interessados podem depositar qualquer quantia na conta 57137-7 da agência 1212-2 do Banco do Brasil. Mais informações pelo telefone do Mepom - (43) 9113-6817.


