Esposas de PMs fazem arte solidária
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quinta-feira, 10 de junho de 2004
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Utilizadas para a conversão dos povos bárbaros ao Cristianismo, na Idade Média, as cruzadas adotaram uma roupagem mais moderna e se tornaram nome de projeto social no Paraná. Implantado em Curitiba há 42 anos, o ''Cruzada Social'' foi criado por mulheres de policiais militares (PMs) para ajudar familiares de cabos e soldados da corporação. O projeto agora tem sede também em Londrina.
A primeira reunião do grupo aconteceu ontem à tarde, no Grêmio da PM, no Parque Mediterrâneo (Zona Sul), e reuniu 25 voluntárias para as atividades de geração de renda que bancarão centenas de kits de materiais escolares, roupas, calçados e cestas básicas a serem distribuídos aos filhos de policiais que estudam na 1 a 4 séries do Ensino Fundamental.
Coordenadora do grupo, a fisioterapeuta Mercedes Silva Cruz, 42, contou que todo o artesanato produzido pelas voluntárias para ser vendido será produto dos encontros semanais, ''aditivados'' por aulas de professores também voluntários. Peças em biscuit, bordado, crochê e papietagem (técnica de colagem com papéis) expostos ontem, comentou, foram resultado do dinheiro arrecadado em um jantar beneficente no qual o cozinheiro foi o marido dela não por acaso, o comandante do 5º Batalhão da PM (BPM), o tenente-coronel Manoel da Cruz Neto. ''Qualquer pessoa da comunidade pode ajudar, toda quinta-feira à tarde. Além de se doar, é uma boa chance de aprender algo que gera renda e, ao mesmo tempo, desestressa'', recomendou.
Alívio para o estresse da profissão, por sinal, foi um dos pontos que mais agradaram à cabo Eliana Figueiredo Costa, de 40 anos, que atende diariamente as chamadas do 190. ''As pessoas ligam nos cobrando e muitas não têm paciência, xingam mesmo'', disse ela, que vai dar aulas de papietagem, crochê e ponto-cruz. ''É até engraçado, porque o povo nos vê com o revólver na cintura e não imagina que temos habilidades de artesãs'', destacou.
Colega de corporação, a também cabo Sueli Batista Bezerra, 41, gosta de mexer com biscuit nas horas vagas, mas prefere mesmo é lidar com a distribuição dos kits os quais beneficiam até mesmo um de seus filhos. Com uma sede do projeto em Londrina, frisou, o trabalho deve ser agilizado. ''Agora, podemos fazer tudo por aqui'', observou.
Esposa de um sargento, a dona-de-casa Vandelize Soares Chanan, 41, garantiu que experiência de voluntária não lhe falta. ''Participo de projetos sociais na minha igreja, isso deve render alguma experiência, não?''


