J. PedroDenúnciaEva com o filho e a mãe na Redação da Folha: 30 km a pé de Bela Vista à Warta para denunciar o casoA Polícia Civil de Bela Vista do Paraíso está sendo acusada de prender, injustamente, um pescador daquela cidade, sob a acusação de estupro. A denúncia foi feita ontem, pela manhã, na Folha, pela mulher do pescador, Eva Rodrigues Cabral, 27 anos, e pela sogra dele, Maria Auxiliadora Lourenço. Elas contam que policiais militares estiveram na casa da família, anteontem pela manhã, no conjunto Rosa Lupi, e prenderam Ezequiel Moraes Cabral, 23 anos.
Eva Cabral diz que a polícia não apresentou mandado de prisão e invadiu não só a casa, mas também o quarto do casal. Ela diz que os policiais não cometeram violência, mas foram muito ‘‘duros’’ e assustaram bastante a família. Eva ganhou bebê há oito dias e passou por uma cirurgia de laqueadura. ‘‘Meu leite quase secou.’’
Sem dinheiro para pagar as passagens de ônibus entre Bela Vista do Paraíso e Londrina, a fim de fazer a denúncia, Eva e a mãe tiveram de caminhar cerca de 30 quilômetros até chegar ao distrito londrinense da Warta (zona norte), e de lá conseguir uma carona até a Cidade.
As duas mulheres garantem que o pescador é inocente da acusação de estupro. Elas dizem que a vítima, uma vizinha, não tem certeza de que o estuprador é Ezequiel Cabral. ‘‘Ela disse para o delegado que queria retirar a acusação sobre o meu marido, mas mesmo assim o delegado não retirou’’, diz Eva.
A esposa do pescador acusa a vítima de ser alcoólatra e duvida que consiga reconhecer o criminoso. O estupro ocorreu há 15 dias. A mulher comenta que tem mais duas filhas, de 4 anos e 1 ano e 5 meses, e que está passando dificuldade financeira sem ajuda do marido, que trabalha na região de Porecatu.
O delegado de Bela Vista do Paraíso, Luis Carlos de Azevedo, diz que não houve irregularidades na prisão de Ezequiel. Ele garante não ter dúvidas de que o pescador é culpado pela acusação de estupro e conta que a vítima o reconheceu oficialmente. ‘‘O problema é que ela tem medo que a família de Ezequiel faça alguma coisa contra ela’’, diz o delegado. ‘‘Eles a ameaçaram de colocar fogo na casa se ela o reconhecesse.’’ Eva e Maria Auxiliadora negam que tenham feito qualquer tipo de ameaça contra a vizinha.
Azevedo explica que o acusado vai cumprir 10 dias de prisão temporária e que depois será pedida a prisão preventiva. Ele diz que Ezequiel não tem antecedentes criminais. Mas tem passagem na polícia por briga e embriaguez.

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