Esporte revela jovens da terceira idade
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sábado, 16 de agosto de 2003
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Todos os dias depois do trabalho o advogado Floriano Yabe, de Londrina, cumpre religiosamente a rotina que já se estende há 14 anos: troca paletó e gravata por acessórios de natação e nada de dois a três mil metros. A prática de esportes começou cedo, aos 12 anos, com o futebol, e o resultado pode ser visto na saúde, disposição e aparência desse senhor de 68 anos de idade. Tenho mais vitalidade que pessoas da mesma idade. Um rapaz para acompanhar meu ritmo precisa estar em boa forma, brinca.
Mas, se por um lado a prática constante de esportes é um dos segredos da longevidade, por outro, nunca é tarde para começar. Descobrir a atividade física na terceira idade pode ser um santo remédio. A prática regular de exercícios ajuda a controlar a pressão arterial e os níveis de glicose e gordura no sangue. Ainda melhora a função pulmonar e aumenta a auto-estima. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, a atividade física, particularmente os exercícios de fortalecimento muscular, promove uma maior fixação de cálcio nos ossos, auxiliando na prevenção e no tratamento da osteoporose.
O envelhecimento é um processo contínuo e irreversível, durante o qual ocorre um declínio progressivo das funções fisiológicas, explica o médico José Kawazoe Lazzoli, especialista em cardiologia e diretor científico da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte. Na realidade, muito desse declínio funcional se deve não somente ao passar dos anos, mas à falta de exercícios físicos.
Aos 80 anos, Orlando Conte, de Londrina, é considerado o moleque do clube onde pratica tênis quatro vezes por semana. E na quadra que leva seu nome, ele é adversário respeitado pelos mais jovens. O adversário mais novo não leva vantagem, é um jogo de igual para igual, diz. Conte começou a jogar há 52 anos, quando tinha 28 anos, e desde então não parou mais. O tênis é só benefício, você fica sempre em forma, conhece pessoas e faz amizades. Vale a pena. Se não fosse o tênis, eu estava todo torto, brinca.
A diferença entre alguém que chega aos 80 anos fazendo esporte e alguém que não fez é absurda, geralmente de uma ou duas décadas, explica o chefe da disciplina de Geriatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), João Toniolo Neto. E vai desde o aspecto psicológico, porque atividade física tem relação direta com depressão, ansiedade e há até estudos mostrando ligação com a preservação de memória, como do ponto de vista físico.
Minha vida mudou radicalmente depois que comecei a praticar esportes, diz o engenheiro Joel Guimarães, de 75 anos. A guinada ocorreu aos 60 anos, quando teve dois enfartes. Hoje, a rotina começa às 4 horas, na Cidade Universitária, zona oeste de São Paulo, onde corre de 25 a 35 quilômetros. Dali, vai direto para a academia, onde faz pelo menos uma hora de musculação. Alongamento feito e banho tomado, só depois disso é que segue para o trabalho. Campeão de maratonas, Guimarães não deixa o RG plastificado de lado nem entre os aparelhos da academia. Gosta de exibi-lo aos amigos incrédulos com sua idade. Me sinto um garotão.(com Agência Estado)


