Esporte integra cegos em Umuarama
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sexta-feira, 26 de maio de 2000
Vânia Moreira De Umuarama 
Dez portadores de deficiência visual de Umuarama começaram este mês a treinar o goalboll, uma modalidade esportiva para cegos. O grupo integra o Projeto AMA (Atividades Motoras Adaptadas), desenvolvido pelo curso de educação física da Universidade Paranaense (Unipar) em parceria com associações que representam os deficientes. O projeto atende paraplégicos, surdos-mudos e deficientes mentais. Praticando o goalboll, os cegos se divertem, se exercitam, melhoram a capacidade sensorial e de locomoção.
Alguns dos participantes não se exercitavam fisicamente antes. É o caso de José Moreira da Silva, 16 anos, de Maria Helena (22 km a nordeste de Umuarama). Cego desde que nasceu, José passa a maior parte do tempo em casa e tem pouca habilidade para se locomover. Ele frequenta as aulas de goalboll há uma semana e está começando a aprender a ir na bola.
O goalboll requer uma bola especial com guizos no interior. É pelo som dos guizos que os jogadores se orientam. O Brasil ainda não fabrica este tipo de bola, que tem de ser importada e custa em média US$ 60. A Unipar está importando as bolas. Enquanto não chegam, os professores improvisaram bolas de basquete enroladas em sacolas plásticas ou papel que fazem bastante barulho. O jogo reúne seis pessoas, três no ataque e três na defesa. Uma trava de 9 metros de comprimento por 1,30 de altura forma o gol, onde ficam três jogadores. Na outra extremidade da quadra, três jogadores arremessam a bola, enquanto os goleiros tentam impedir que marquem gol.
As aulas são realizadas às quintas-feiras à noite, no ginásio de esportes do Colégio São José. Segundo o coordenador do projeto, professor José Irineu Gorla, em breve fica pronto o complexo esportivo do câmpus 2 da Unipar e haverá uma quadra própria para goalboll. Gorla disse que o Brasil tem várias equipes de goalboll e Umuarama pode formar uma equipe para competir em amistosos e campeonatos paraolímpicos.
O grupo ainda tem poucos participantes porque a maioria não tem como ir até o ginásio de esportes. A Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Visuais de Umuarama (Apadevi) e os coordenadores do curso estão tentando obter verbas para custear o transporte dos atletas. A Apadevi reúne cerca de 60 deficientes visuais que frequentam o curso de alfabetização em braile no Centro de Treinamento de Cegos do Colégio Estadual ou que fazem o supletivo no Centro de Ensino a Distância (Cead).


