Esporte estimula deficientes mentais
Da Redação
A participação de portadores de deficiência mental em atividades esportivas tem contribuído para melhorar a auto-estima, saúde, valorização pessoal, relacionamento familiar e social destas pessoas. Um exemplo é Alex Sandro do Rocio, 15 anos, aluno e atleta da Escola Especial Ecumênica, de Curitiba. Ele possui distúrbios de aprendizagem, e antes de começar a praticar handebol, era tímido, medroso, não ficava sozinho, nem conseguia se relacionar com outras pessoas.
Até para ir à escola, Alex Rocio precisava de ônibus especial. Quando ele não estava em horário de aula, ia com a mãe para o trabalho. O Alex ficava enganchado em meu braço o tempo todo, diz a mãe Renilda do Rocio. Mas assim que começou a praticar esporte, a família percebeu o rápido desenvolvimento do garoto. Ele já fica em casa sozinho enquanto estou trabalhando, faz compras na mercearia, vai visitar o primo que mora em Colombo, além de utilizar seis ônibus por dia para se locomover de casa para a escola, conclui a mãe.
Alex é um dos oito atletas especiais da equipe mista de handebol, campeã nos Jogos Mundiais de Verão, que aconteceram de 26 de junho a 04 de julho, na cidade de Raleigh, Carolina do Norte, Estados Unidos.
A vida da atleta Adelair Alberti, 35 anos, também mudou, principalmente depois que se tornou campeã mundial de handebol nas Olímpiadas Especiais. Segundo ela, o pai a rejeitava por ser especial. Ele nunca tinha me abraçado, conta Adelair. Mas, segundo ela, assim que desembarcou no aeroporto, foi recebida com beijos e um forte abraço do pai, o que para ela foi melhor do que a vitória nos jogos. Ele começou a me valorizar e a me aceitar do jeito que eu sou, está até participando das reuniões com os professores da escola, coisa que nunca tinha feito. Adelair é aluna da Escola Especial Menino Jesus.
Laureni de Moraes, 17 anos, artilheiro de handebol dos Jogos Mundiais das Olimpíadas Especiais, com 46 gols, também diz que seus pais ficaram mais atenciosos e carinhos depois que começou a treinar. Ele sente que até os amigos do bairro passaram a valorizá-lo mais depois que se tornou campeão.
Para Moraes, foi importante conhecer um país como os Estados Unidos, já que pode fazer várias amizades com atletas de outras equipes. A gente conversava em inglês, conta Moraes. Os atletas fizeram um cursinho de inglês durante um mês, antes de viajarem, patrocinado pela Escola Number One.
Para a professora de Educação Física da Escola Especial Menino Jesus, Vânia Lúcia Girardi, 25 anos, treinadora voluntária da equipe há dois anos, a maior gratificação no trabalho, é ver seus alunos felizes por serem reconhecidos e valorizados por suas famílias e pela sociedade. Segundo ela, a meta agora é a classificação dos atletas para os Jogos da Apae, em setembro. Ela pretende continuar treinando a mesma equipe para a próxima competição dos Jogos Mundiais que acontece em 2003, no Alaska.





