Pela manhã, Maiara da Silva, 9 anos, estuda na Escola Municipal Atanázio Leonel. Está na quarta série. À tarde, troca livros e cadernos pelo esporte. O treinamento de taekwondo é feito duas vezes por semana, no Centro Educacional de Desenvolvimento do Adolescente e da Criança (Cidac), no Jardim São Jorge (Zona Norte de Londrina).
As aulas fazem parte do Projeto Futuro, mantido pela Fundação de Esportes, que tem como objetivo evitar a exposição das crianças e adolescentes aos riscos das ruas. Mas esta é apenas uma das metas. As aulas também servem para ensinar noções de cidadania e respeito e garimpar talentos em 16 modalidades.
A pequena Maiara é apontada pelo professor Joventino Fernandes da Costa como promessa do esporte. Craque na modalidade, tem consciência da importância da disciplina para crescer na prática da arte marcial. E garante: sabe que as técnicas não podem ser aplicadas em qualquer situação. ''Nunca briguei na rua. Não causo encrenca. E o professor sempre conversa com a gente sobre o taekwondo e fala que não é para bater nos outros e sempre respeitar os amigos'', declara.
A conversa com os 65 participantes é parte importante do projeto, de acordo com o professor Costa. O tema principal do diálogo é a disciplina. Mas não faltam conselhos e troca de ideias. ''Prefiro lidar com crianças carentes porque elas precisam de afetividade. Muitas vezes os pais não têm conversas com essas crianças. Então pergunto sobre a vida e os procedimentos delas, ensino o que não devem fazer'', explica. Assuntos espinhosos como drogas e pedofilia fazem parte do repertório.
Diferentemente de treinamentos comuns a esportes de alto rendimento, a recreação também faz parte das aulas. Os alunos de Joventino Costa têm outras atividades no contraturno escolar no Cidac e ainda recebem refeições. Apontado como possível atleta profissional no futuro, Victor da Silva Santos, 10, passa as tardes na instituição. Ressalta, porém, que prefere o esporte de Natália Falavigna às atividades recreativas. E sonha em disputar os Jogos Olímpicos.
E que ninguém duvide. Com apenas um ano de funcionamento, o projeto de taekwondo tem dado ''grandes resultados.'' A avaliação do faixa-preta Joventino Costa é baseada no contato direto com as crianças, que fazem questão de treinar e demonstram uma disciplina rara em uma atividade com mais de 60 crianças juntas. ''Temos crianças aqui que, se forem moldadas em academias, ainda trarão muitas medalhas para o São Jorge'', aposta.

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