Esporte e cultura atrás das grades
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Vítor Ogawa <br> Reportagem Local 
'' Não podemos fazer de nossa vida um erro constante. Não me julguem marginal porque aqui estou. Talvez seja uma pena justa que eu posso quitar, enquanto outros não tiveram essa oportunidade e com sua vida tiveram que pagar''.
Este é um trecho do poema vencedor do concurso de poesias realizado entre os detentos da Casa de Custódia de Londrina (CCL). O concurso foi uma das atividades organizadas pelos próprios detentos para encerrar a Semana do Encarcerado.
O diretor da CCL, José Roberto dos Santos, diz que o evento não é uma celebração, mas uma forma de proporcionar um momento de reflexão aos detentos. ''Ninguém tem motivos para comemorar, mas o que estamos realizando é uma oportunidade para que eles possam se expressar, uma vez que o governo estadual está querendo focar seus investimentos na educação e nós estamos procurando estender isso para os encarcerados'', explicou o diretor.
O diretor explica que, além do concurso de poesia, foram realizados torneios de xadrez, dominó, futebol e apresentações de capoeira.
A psicóloga da CCL, Juliana Zanuto de Resende, conta que as atividades promovem a reflexão. As atividades da semana do encarcerado, segundo ela, servem também para que os próprios funcionários da CCL possam observar quais as possibilidades que os presos possuem e também para pensar o espaço. '' É uma forma de valorizar o que eles fazem bem'', comentou. Ela conta que no projeto da capoeira a cada seis meses são realizados batizados. ''É um esporte saudável e o projeto permite que eles se graduem aqui mesmo'', declara.
Ela diz que a capoeira é apenas uma das formas pelas quais os presos podem buscar sua autonomia quando saírem da prisão. ''Nós temos um projeto de implantar salas de aula em que estamos viabilizando parcerias para o ensino presencial ou à distância'', conta.
A psicóloga conta que os presos que realizam a faxina foram recrutados como monitores para um programa de saúde para orientar outros presos, tais como informações sobre doenças sexualmente transmissíves (DST) ou tuberculose.
O professor de capoeira Márcio Elesbão foi um dos convidados a prestigiar as atividades dos presos durante a semana do encarcerado e foi responsável pela entrega de alguns dos prêmios. Ele diz que os detentos demonstraram facilidade em executar os movimentos. ''Além disso eles possuem uma musicalidade muito boa'', comentou. Ele diz que, por viver em um meio restrito, atividades como a capoeira permitem que eles expresem a sua criatividade.
''Uma mente ociosa é a oficina do diabo'', disse um dos presos, que pediu mais atividades do tipo na prisão. Um colega disse que em um ano foi a primeira vez que tiveram acesso a esse tipo de evento. '' Aqui é sofrimento'', resumiu.


