ESPIRITUALIDADE - Um exercício para alma
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de agosto de 2008
Thays Ferrari Puzzi<br>Especial para a FOLHA 
Quem nunca falou ou ouviu alguém dizer que a vida anda cheia de problemas, indagações, incertezas e nesses momentos recorrem à expressão: ''Ai meu Deus!''. Por ouvir frequentemente essa frase entre os alunos e perceber a carência de alguns com relação à espiritualidade, o empresário Itamar Luiz da Silva Maria decidiu promover cultos em sua academia, na Zona Leste de Londrina. As reuniões acontecem todas as sextas-feiras, a partir das 21h30.
''Foi no dia-a-dia da academia que eu percebi o quanto as pessoas são carentes. Quando elas têm um problema sempre acabam recorrendo a Deus'', afirmou Itamar, que se converteu à religião evangélica há nove anos após enfrentar um problema sério na coluna. Ele disse ter sentido o toque do Espírito Santo para dar início às reuniões.
Frequentado por alunos e também pelos vizinhos da academia, os cultos começaram em outubro do ano passado e são ministrados por pastores de diferentes denominações evangélicas. Isso porque, segundo Itamar, traz a possibilidade de atingir mais pessoas. ''Eu mesmo convido os pastores. Uma vez estava em uma loja de músicas e ouvi um homem dizer que era pastor. Na hora fui falar com ele e aceitou o convite'', contou.
Segundo Itamar, as reuniões são um contato íntimo com Deus fora da igreja, o que permite que o encontro, apesar de ter características de um culto, seja mais livre e tranquilo. E foi essa tranquilidade que fez a bancária Cristiane Domingues, aluna da academia há dois anos, começar a frequentar as reuniões. ''Antes eu vinha na academia, malhava e ia embora. Era tudo indiferente. Depois que começaram as reuniões as pessoas passaram a serem mais cúmplices uma das outras.''
Já para a auxiliar de coordenação escolar e também aluna, Maria Júlia Console, o fato da academia não carregar nenhuma denominação faz com que as pessoas se sintam mais livres, além de ser uma reunião mais intimista. ''Você vai na igreja e sempre tem aquele monte de gente. Aqui o encontro é mais íntimo e ao mesmo tempo mais livre'', comentou.
Novas estratégias
Segundo o doutor em História, o teólogo Wander de Lara Proença a religião evangélica tem passado por transformações nas últimas três décadas e uma academia que oferece cultos semanais é exemplo disso. ''As igrejas cada vez mais foram deixando os espaços chamados sagrados.''
Essa mudança começou ocorrer na década de 1950 com a chegada ao Brasil da Igreja do Evangelho Quadrangular vinda dos Estados Unidos. Foi nesse período que estratégias foram desenvolvidas pela igreja com o objetivo de captar novos membros. ''A evangelização não se prendia mais aos templos e a igreja começou a fazer uma programação religiosa nas ruas e praças.'' Essa nova tática, mais agressiva, constrastou com o pentecostalismo estabelecido no país desde 1910, que mantinha um distanciamento muito grande de tudo aquilo que considerava profano. ''Os membros dessa igreja faziam uma grande separação do que era sagrado e do que não era.''
Com a igreja ganhando novos espaços, em 1970 surge o chamado Neo Pentecostalismo que rompeu com todo o rigor de costumes, como de não usar determinadas roupas, de não praticar alguns esportes ou de não frequentar lugares específicos. ''As décadas de 70 e 80 significaram uma ampliação muito grande daqueles espaços chamados profanos agora cada vez mais utilizados pelas ações evangelizadoras dessas igrejas, que passaram a alugar e comprar locais que anteriormente eram lojas, cinemas.''


