O espiritismo baseado na obra de Allan Kardec nega a existência do diabo.
As associações ligadas à Federação Espírita acreditam que os espíritos de menor luz, aqueles que ainda não evoluíram, transitam entre os encarnados (seres humanos), influenciando-os nas diversas práticas do mal.
Pedro Cândido Romero (foto), de Londrina, é kardecista há quase 50 anos. Ele diz: ‘‘Todos os espíritos estão lá, uns em melhores, outros em piores condições. Se na terra a pessoa praticou o mal, roubou, matou, vai levar para o plano espiritual os maus hábitos’’, diz Romero. Para ele, existem também os espíritos superiores, que ajudam os seres humanos quando estes oram para Deus.
Os espíritas não usam a palavra demônio, mas Pedro Romero acredita que se o ser humano era maldoso em vida, depois de ‘‘desencarnado’’ continua igual e instiga os homens à prática de maldades. Além de influenciar e assediar os vivos, os espíritos podem ir mais longe e possuir alguém. ‘A pessoa é dominada por uma ou mais entidades que perturbam e vão conduzindo o indivíduo’’, diz Romero. A dominação total, segundo ele, não é um processo imediato. ‘‘A pessoa começa a ceder às influências a tal ponto que fica dominada.’’ A forma de acabar com a influência, na opinião dos kardecistas, é recorrer aos centros de tratamento espiritual, onde preces devem ser feitas de forma ardorosa.
Um dos coordenadores da Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas, Alfeu Garcia, de Maringá, diz que os problemas humanos existem ‘‘de dentro para fora’’, ou seja, são criados pelas próprias pessoas e podem ser resolvidos por elas, desde que sejam bem orientadas. ‘‘Nós não trabalhamos com a indústria do diabo. A desordem pessoal não é provocada pelos poderes maléficos do demônio.’’
Alfeu Garcia critica o uso frequente do exorcismo por algumas igrejas. ‘‘Não podemos nos exorcizar toda vezque descobrimos uma desordem na nossa casa interior. A solução é botar ordem na casa, através da ética e da f钒, diz o espírita.

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