César AugustoEspírito eternoRomero: ‘Funeral é momento de reflexão sobre a passagem da vida’O espiritismo é uma doutrina cristã, uma filosofia de vida com consequências religiosas organizada no século passado pelo francês Allan Kardec. Em Londrina, há dezenas de centros espíritas, mas não há como precisar o número de praticantes - até porque, muitas vezes, eles são seguidores ainda que informais de outras religiões.
Segundo o médium Pedro Candido Romero, os funerais de espiritistas devem ser o mais simples possível e, de preferência, não devem acontecer nos centros. ‘‘O aconselhável é que os familiares e amigos despeçam-se de seus mortos em suas casas ou nas capelas da Acesf. As orações de despedida, de conforto aos que estão sofrendo com a partida de um ente querido devem ser feitas no próprio cemitério’’, explica.
De acordo com Romero, as orações devem ser poucas, sérias e rápidas. ‘‘Também dispensamos o uso de velas, cruz, santos, e outros paramentos. As orações são no sentido de que Deus conforte os familiares da dor da perda e o espírito tenha uma boa recepção no plano superior’’, afirma o médium. ‘‘O funeral é um momento de reflexão e de melhor entendimento sobre a passagem da vida, da matéria, e principalmente sobre a continuidade da vida através do espírito, que é eterno.’’
As flores não são dispensadas pelos espíritas para as despedidas de seus mortos, que são sepultados em qualquer cemitério sem distinção.
‘‘O meu funeral, se fosse possível, eu gostaria que fosse às margens do lago Igapó, embaixo de uma bela árvore, com a execução de músicas agradáveis. Sem pompa e sem gastos. O dinheiro que se conseguir economizar deve ser usado na ajuda a crianças carentes’’, afirma Pedro Romero, para exemplificar o desapego à imponência que o espiritista deve ter na sua despedida da vida terrena.
(Osmani Costa)

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