Espíritas dispensam velas, cruz e pompas
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de agosto de 1997
Da Redação 
César AugustoEspírito eternoRomero: Funeral é momento de reflexão sobre a passagem da vidaO espiritismo é uma doutrina cristã, uma filosofia de vida com consequências religiosas organizada no século passado pelo francês Allan Kardec. Em Londrina, há dezenas de centros espíritas, mas não há como precisar o número de praticantes - até porque, muitas vezes, eles são seguidores ainda que informais de outras religiões.
Segundo o médium Pedro Candido Romero, os funerais de espiritistas devem ser o mais simples possível e, de preferência, não devem acontecer nos centros. O aconselhável é que os familiares e amigos despeçam-se de seus mortos em suas casas ou nas capelas da Acesf. As orações de despedida, de conforto aos que estão sofrendo com a partida de um ente querido devem ser feitas no próprio cemitério, explica.
De acordo com Romero, as orações devem ser poucas, sérias e rápidas. Também dispensamos o uso de velas, cruz, santos, e outros paramentos. As orações são no sentido de que Deus conforte os familiares da dor da perda e o espírito tenha uma boa recepção no plano superior, afirma o médium. O funeral é um momento de reflexão e de melhor entendimento sobre a passagem da vida, da matéria, e principalmente sobre a continuidade da vida através do espírito, que é eterno.
As flores não são dispensadas pelos espíritas para as despedidas de seus mortos, que são sepultados em qualquer cemitério sem distinção.
O meu funeral, se fosse possível, eu gostaria que fosse às margens do lago Igapó, embaixo de uma bela árvore, com a execução de músicas agradáveis. Sem pompa e sem gastos. O dinheiro que se conseguir economizar deve ser usado na ajuda a crianças carentes, afirma Pedro Romero, para exemplificar o desapego à imponência que o espiritista deve ter na sua despedida da vida terrena.
(Osmani Costa)


