A próxima segunda-feira deve ser um dia de sonho para 35 alunos e professores da Escola de Circo de Londrina, que têm lugar garantido no espetáculo Saltimbancos, que o Cirque du Soleil está apresentando em São Paulo. O que não está garantido, por enquanto, é o que estes adolescentes e jovens a maioria integrante de famílias humildes vão comer ao longo do dia. Com ingressos doados pelo próprio Soleil e transporte oferecido pela Viação Garcia, eles embarcam para a capital paulista sem noção de como e onde farão as refeições.
''Estamos calculando uma despesa entre R$ 800,00 e R$ 1 mil, para almoço, lanche e jantar. Vou ter uma reunião no final da tarde de hoje (ontem) para explicar a eles que ainda não temos este dinheiro, e se algum deles puder, deve levar alguns trocados. Mas sabemos que há alunos aqui que vêm treinar sem almoço, porque mal têm dinheiro para o ônibus'', afirmou o professor e gestor do Projeto Trupes da Cidadania (um dos vários desenvolvidos pela Associação Londrinense de Circo), Sérgio Oliveira.
A possibilidade de assistir ao cobiçado espetáculo surgiu graças ao fato da Escola de Circo integrar a Rede Circo do Mundo Brasil, que tem como principal apoiador o Cirque du Soleil. Além de ver de perto cada movimento da seleta trupe, o grupo londrinense vai poder visitar os bastidores do espetáculo, conversar com os artistas enquanto se preparam para subir ao palco e conhecer os equipamentos que o mais famoso circo do mundo utiliza. ''Todos estão muito ansiosos. Dos jovens que estão aqui, nenhum teria condições de assistir a um espetáculo como este, com ingressos que custam de R$ 150 a R$ 450'', observou Oliveira.
Muitos dos 25 alunos que viajarão para São Paulo chegaram até a arte circense através do Programa Rede da Cidadania, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Cultura e que mantém núcleos de circo em alguns bairros de Londrina. Entre eles está Érick Nantes Wonsoski, de 12 anos, que não economiza nos sonhos. ''Acho que se eu treinar muito, daqui uns sete, oito anos, posso estar no Soleil. É o sonho de todo mundo aqui, mas a gente sabe que tem que ser muito bom para conseguir'', revelou o garoto, em meio aos treinos de ontem à tarde.
Érick chegou até as aulas de circo por acaso, acompanhando a irmã Jéssica no núcleo do Jardim Maria Cecília (Zona Norte). ''Gostei e continuei'', contou, sem esconder o entusiasmo com a viagem da semana que vem. ''Estou doidinho para ver os movimentos que eles fazem, conversar com eles'', confessou, referindo-se aos ídolos do Soleil. O garoto revelou ter tido medo de não ver o seu nome da lista dos que embarcarão para a capital paulista. ''Quando eu vi que estava lá, fiquei emocionado.''
A mesma expectativa é demonstrada por Gisele da Silva Rodrigues, de 18 anos, que começou a treinar no Centro Social Urbano (CSU) da Vila Portuguesa (Área Central), há três anos. ''Ver o Soleil é um sonho'', resumiu. Segundo Gisele, faz uns dois meses que ela e os companheiros de treino só pensam nesta viagem, só falam no circo que nasceu no Canadá com a proposta de mudar o conceito da arte do picadeiro. ''Assisti vários espetáculos em DVD e não perdi um dia da série feita pelo Fantástico sobre o circo.''

Serviço: Interessados em colaborar com a viagem dos alunos da Escola de Circo devem entrar em contato pelo fone (43) 3324-0159.

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