Londrina - Diz a lenda que Papai Noel é um senhor muito bonzinho, com uma longa barba branca, que se veste de vermelho e mora no Polo Norte. No Natal ele enche um saco de presentes e sai com suas renas e seu trenó para distribuí-los para quem foi obediente. Ele fabrica todos os brinquedos com ajuda dos duendes, que também seriam os responsáveis por vigiar o comportamento das crianças e saber se elas realmente se comportaram durante o ano.
Na época do Natal, mesmo em meio a tanta tecnologia e modernidade, as crianças ainda procuram informar o Papai Noel de suas boas ações e também avisam qual o presente escolhido. Para isso, vale escrever uma cartinha ou pedir para um adulto fazer isso, ou até transmitir o recado "pessoalmente".
Essa foi a escolha de Lara Gabriely Sato Bolfer, de 4 anos. Ela conta que encontrou com o bom velhinho no shopping e aproveitou para fazer sua encomenda: roupas e um notebook da Barbie. "Na noite de Natal ele vai trazer aqui na casa da minha avó e colocar embaixo da cama. Mas eu tenho que ser obediente para ganhar presente", destaca.
A menina diz também que o Natal é o aniversário de Jesus e que ela precisa doar um presente para uma outra criança, já que Papai Noel não teria condições de atender a todas. "Ela sabe que quando ganha em presente, doa outro. Como ela é muito ansiosa, acaba pedindo presente para o Papai Noel o ano todo e por isso mostro no calendário quando é que ele virá. Assim, quando começamos a enfeitar a casa ela sabe que a data está se aproximando", conta a culinarista Viviane Geremias Bolfer, avó de Lara.
Mãe de três filhos, Viviane conta que já tinha o hábito de decorar a casa e incentivar o mito de Papai Noel com eles e agora repete a história com a neta. "Cresci com isso, eu fazia o ninho do coelhinho da Páscoa com grama, ensinei para meus filhos, fazia as patinhas com farinha de trigo e também faço com a Lara. Acredito que isso é importante para estimular a criatividade e a fantasia dela", diz.

Comportamento
A empresária Rosinei Guilhen Martins também se encarregou de incentivar a imaginação dos netos Eduardo Gonçalves Martins, de 4, e Marina Gonçalves Martins, de 2, ao mesmo tempo que encontrou uma forma de estimular o bom comportamento.
"Eles já acreditavam (em Papai Noel), mas como o Eduardo estava em uma fase meio complicada, expliquei que precisaríamos fazer uma cartinha para o Papai Noel saber o que cada um queria ganhar e ao mesmo tempo falei sobre o bom comportamento e a importância de obedecer aos pais", conta Rosinei.
Foi para ela que os pequenos ditaram suas respectivas cartas ao Papai Noel, com os pedidos de presente. A avó também levou os netos aos Correios para postar as cartinhas, enviadas para a casa de um familiar.
"Eu pedi uma casa do Batman e o Papai Noel vai levar lá na casa da minha tia", explica Eduardo. Já Marina conta que pediu um monte de maquiagens. O menino garante que está se comportando e por isso deve ganhar o que pediu. Em retribuição, diz que dará ao velhinho uma camiseta vermelha, "para combinar com a roupa dele", explica.
De acordo com a avó, já é tradição algum familiar se vestir de vermelho e fazer entrega dos presentes para as crianças. Como é comum entre os menores, no ano passado Marina teve medo do Papai Noel, mas este ano, durante uma visita a um shopping, já demonstrou estar mais tranquila.
Ao contrário dos países frios, onde as casas contam com uma lareira com chaminé, por aqui Papai Noel precisa entrar pela porta, como qualquer um, mas isso não é problema para as crianças. "Ele bate o sino, avisando que está chegando e entra pela porta. Ele senta em uma cadeira especial para dar os presentes e depois vai para outras casas, entregar para as outras crianças", conta Eduardo.
Rosinei diz que neste ano falou sobre a cartinha para incentivar a fantasia, ao mesmo tempo que teve um motivo para falar sobre o merecer algo. "Com meus filhos eu também fazia isso, acho que é muito vago só pegar o presente e pronto", afirma.

mockup