Esperança nas salas do Coas
O Centro de Orientação e Apoio Sorológico (COAS), ambulatório do Centro Regional de Saúde de Maringá, tem uma equipe de médicos e enfermeiros para atender aos soropositivos. Os nomes ficam anônimos. O COAS pede apenas uma indicação para localizar o soropositivo. No ano passado, dos 703 exames realizados neste laboratório, 77 revelaram-se positivos.
Para os que estão doentes, o COAS faz exames e encaminha para as diversas especialidades médicas. Se for preciso internamento, existem quatro leitos à disposição do SUS na Santa Casa. É o único hospital da cidade que tem condições de atender pacientes de Aids.
O casal Odair de Almeida, 36 anos, e Maria Aparecida Barra, 41, já passou pelo COAS e pela Santa Casa diversas vezes. Eles adquiriram o vírus há sete anos. As doenças começaram a se desenvolver há três anos e meio.
Cida e Odair pagam aluguel de uma casa humilde em Sarandi (7 quilômetros de Maringá). Ela trabalhava como faxineira em hotel e Odair se aposentou como eletricista, recebendo apenas um salário mínimo. Se fossem sozinhos, já teriam morrido.
Estão vivos graças a irmã de Odair, Áurea Aparecida de Almeida, 38 anos, ex-enfermeira e que hoje dedica as 24 horas do dia a manter o casal de pé. Cida já está com toxoplasmose (tosse sem parar), mal anda, não consegue falar e nem escutar. Chora pelos cantos da casa o dia inteiro. Odair também já foi internado. Os dois tiveram pneumonia. Tomam AZT e sulfadiazina.
Áurea garante que se eles tivessem acesso ao coquetel já estariam bem melhores, podendo trabalhar, inclusive. Eles pagam o aluguel com a aposentadoria de Odair e sobrevivem às custas da bondade de vizinhos e amigos, como o pastor Arraré.
Eu não os deixo deitar. Faço eles andarem o dia inteiro pelo quintal. Estou sempre com o astral lá em cima, afirma Áurea. Em Sarandi, já foram notificados 78 casos de Aids, a metade já foi a óbito. Mais de dez famílias estão na mesma situação de Cida e Odair.





