O silêncio das vítimas de agressão homens ou mulheres é geralmente resultado da combinação de esperança e medo, afirma a presidente da Comissão da Mulher Advogada da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Maria Elisa Munhol. ''A vítima tem esperança de não ser mais agredida e medo das consequências do ato de denunciar, como novas agressões e críticas da família e da sociedade.''
De acordo com a advogada, o agressor bate e depois se desculpa. Diz que não vai fazer mais. Lembra o amor que os fez casar, os filhos, fala do futuro. A vítima acredita que o agressor percebeu que estava errado. ''Mas ele vai fazendo cada vez mais física e verbalmente. E isso vale tanto para o homem quanto para a mulher'', diz Maria Elisa.
Outro obstáculo é o fato de a violência partir de alguém com quem a vítima tem um forte vínculo afetivo, afirma Célia Regina Zapparolli, presidente da ONG Pró-Mulher, Família e Cidadania. ''O laço faz com que a pessoa não acredite que seja tão grave. Ela tenta amenizar, colocar panos quentes.'' Além disso, segundo a presidente da ONG, muitas vezes os atos violentos são encarados como coisas naturais. ''Em certos grupos sociais, por exemplo, gritar e ofender verbalmente não é agressão. É preciso que a população tenha mais consciência.'' (L.D./AE)

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