Esperança de vida longa e próspera
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de janeiro de 2007
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
Não há raiz mais profunda que a dos ancestrais, mas todo o vigor dos seus frutos, representados pelos descendentes, depende de um terreno fértil chamado tradição.
Para manter essa cultura erguida pelos antepessados, a comunidade nipo-brasileira londrinense realizou ontem pela manhã, na sede da Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel), uma celebração saudando a chegada do Ano Novo em que o prato principal foi o ozoni um caldo em que a tradição milenar é o principal ingrediente.
Sem a raiz nenhuma árvore sobrevive. Nós também somos assim. Sem os ancestrais, que são a nossa raiz, a gente não sobrevive. Nessa reflexão está toda a crença dos orientais, que diz que os nossos ancestrais estão aí para nos proteger. A gente não vê a raiz, mas ela está embaixo da terra, sustentando a árvore, resumiu um dos participantes da celebração, Paulo Tsuchiya.
O ozoni começou a ser preparado no sábado, quando a comunidade se reuniu para fazer o moti, um bolinho de arroz que é a base do caldo, além
de extrato de peixe, algas e
legumes.
Ontem, em apenas alguns minutos, a sopa foi preparada pelos mulheres e servida com o desejo e a esperança de que a tradição traga vida longa e prosperidade.
O moti representa também o encontro da terra com o mar porque o arroz é plantado no chão e o caldo do ozoni lembra a água. O bolinho estica e, por isso, simboliza ainda o pedido de vida longa, explica Tsuchiya.
Kiyomi Suzuki acordou cedo, preparando ozoni para a família em casa, antes de confraternizar com a comunidade. Ela não considera o preparo do caldo difícil e a tradição é uma receita mantida pela família.
É importante participar de atividades promovidas pela Acel, o que garante a preservação da nossa cultura, disse o estudante Fábio Cinagawa, 21 anos.
Além do ozoni, o Ano Novo foi recebido com saquê, bebida considerada sagrada pelos japoneses, que saudaram 2007, com o tradicional brinde: kampai.


