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Carlos Alberto Cavalcanti faz hemodiálise há 15 anos: à espera de um doador compatível
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Unidade no Mater Dei conta com oito leitos e duas salas cirúrgicas



O Paraná tem 1.919 pacientes cadastrados na Central Estadual de Transplantes. Na região de Londrina há uma fila de quase 500 pessoas nessa condição, sendo a maioria à espera por um rim. São pessoas como o autônomo aposentado Carlos Alberto Cavalcanti, de 37 anos, que faz hemodiálise desde novembro de 2001. Ou seja, são 15 anos filtrando o sangue por intermédio de um rim artificial. "Fui diagnosticado aos 21 anos com glomeruloesclerose segmentar", conta, informando que em cada sessão precisa ficar conectado a um aparelho por quatro horas. "É como se a gente tivesse participado de uma maratona. Entra bem, mas sai muito cansado. Fico assim durante um dia inteiro", explicou.

Cavalcanti revela que fica o tempo todo na expectativa de que o telefone toque com a notícia de que foi encontrado um doador compatível. "Esse tratamento por hemodiálise é muito invasivo. Pelo menos a nossa esperança aumentou depois que foi anunciada uma unidade exclusiva para transplantes de órgãos", apontou.

A unidade mencionada por Cavalcantti foi inaugurada na manhã de terça-feira (6), no Hospital Mater Dei. De responsabilidade da Irmandade Santa Casa (Iscal), a unidade conta com oito leitos, sendo seis de internação e dois de UTI, além de duas salas cirúrgicas específicas. O espaço possui 453 m² e foi implantado em uma ala que estava sendo pouco usada no hospital. Na unidade serão realizadas cirurgias para transplante de adultos. Os transplantes pediátricos continuarão sendo realizados no Hospital Infantil Sagrada Família. A Iscal já realizou 368 transplantes renais e 55 cardíacos até hoje.

O nefrologista que coordena a equipe de transplante da parte clínica do hospital, Getúlio Amaral, destaca a importância de ter um ambiente próprio. "Antes, na Santa Casa, fazíamos transplantes, mas não com unidade específica. A diferença é que a gente espera um impacto positivo no sentido de ter menos infecções, menos complicações e de ter uma enfermagem mais treinada", explicou.

Enquanto a cerimônia de inauguração da unidade acontecia, a chefe da Central de Transplantes da Regional Norte, Ogle Beatriz Bacchi de Souza, se comunicava com outra pessoa sobre a possibilidade de uma família ter autorizado a doação dos órgãos de um paciente, a primeira que seria captada pela unidade da Santa Casa. "Criar um espaço exclusivo significa principalmente recuperar a esperança dos pacientes que estão na fila de espera."

Ogle explica que depois que a família doa, o sistema estadual começa a fazer a seleção dos pacientes que irão receber os órgãos. "Como aconteceu agora, a gente prefere não notificar quem receberá a doação", apontou.

Coordenadora de enfermagem do Mater Dei, Cláudia Maria Vitório Pifer, 56 anos, foi doadora de um rim em vida para um primo. Há 10 anos, ela recebeu uma ligação desse primo falando que estava com insuficiência renal crônica. "Passou um ano e meio até dizer que estava preparada para a doação. Eu conversei com meu pai, com minha mãe e meu marido sobre o assunto e eles falaram que eu estava fazendo a coisa certa. Mas eu já estava tão decidida que nada iria me fazer mudar de ideia", relembrou. "Esse assunto me emociona muito; mudou a vida dele, pois ele ficava conectado a uma máquina." Cláudia diz que se tivesse de repetir a ação, faria do mesmo jeito.

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