Esperança de ter qualidade de vida por mais tempo
Londrina - Durante a sessão de fisioterapia para as pessoas com Parkinson foi possível observar que as atividades eram combinados com operações aritméticas e exercícios para a memória, para induzir a exercitar novas conexões do cérebro que pudessem ajudar a superar a doença. "Os pacientes possuem o que se chama neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro se reorganizar e formar novas conexões. Uma terapia bem orientada e bem medicada pode fazer isso acontecer", destacou a professora de Fisioterapia Neurológica da UEL, Suhaila Mahmoud Smaili Santos. Ela ressaltou que o exercício físico tem um potente efeito de proteção para o cérebro, porque estimula a neuroplasticidade.
Uma das pacientes que tem sentido essa diferença é a professora aposentada da UEL, Cleide Camargo, de 63 anos. Ela começou a participar das sessões de fisioterapia após ler uma reportagem da FOLHA, no ano passado. "No início achei que os exercícios eram simples, mas nos dias seguintes não conseguia nem andar. Eles não são complicados, mas são eficazes", destacou. Ela relembrou que sentiu os primeiros sintomas em 2007, quando começaram os tremores no braço. "Não dei muita confiança. Mas depois senti um tremor no peito e procurei um neurologista, mas já sabendo da possibilidade de ser Parkinson." Ela destacou que sofreu um baque diante do diagnóstico, mas resolveu que deveria enfrentar da melhor forma possível. Segundo ela, a fisioterapia dá esperança para que tenha qualidade de vida por mais tempo.
Os exercícios em grupo também servem de suporte emocional. Segundo Cleide, todos fazem os exercícios felizes e se conhecem pelo nome. "A convivência em grupo pode ajudar no tratamento. Ao ver pessoas com os mesmos problemas e às vezes com muitos anos a mais de doença e com uma condição boa, o paciente pode ter uma visão futurística dele", afirmou Suhaila.
O projeto tem a participação de alunos, residentes e bolsistas de iniciação científica, docentes do departamento de Fisioterapia e do neurologista chefe do ambulatório de distúrbios do movimento do Hospital de Clínicas, Lúcio Baena de Melo, além da cooperação do pesquisador da Unopar, Rubens A. da Silva Junior. (V.O.)





