A líder do grupo, Leoni Gonsalves, alega que as famílias foram tiradas da área na década de 70 pelo delegado Oscar Pacheco dos Santos e pela Cooperativa Agrária Mista Entre Rios. ‘‘Resolvemos ocupar as terras só agora porque esperamos todos esses anos por indenizações que a cooperariva prometeu mas nunca pagou’’, justitica Leoni.
‘‘Há mais de 20 anos eles arrancaram a gente daqui. Colocaram fogo nas casas, bateram em nós. Passamos todo esse tempo tentando um acerto com a cooperativa’’, afirmou Leoni. Ela confirmou que alguns antepassados receberam indenização. ‘‘Mas eram ignorantes, não sabiam quanto estavam recebendo’’.
O grupo fundou a Associação Heleodoro - Paiol da Telha para que as pessoas saibam da luta do grupo. ‘‘Temos apoio da Pastoral da Terra, da Igreja, Grito da Terra e MST’’, revelou Leoni. ‘‘Mas não temos ligações com o MST. Não somos sem-terra, somos donos. Aqui os sem-terra não entram. Só deixamos ficar os descendentes dos escravos’’. O grupo espera ajuda do governo do Estado. ‘‘Precisamos de cestas básicas, remédios e de um segurança para o acampamento’’.
Segundo José Soares da Cruz dos Santos, um grupo de cinco homens armados teria vindo domingo até a fazenda ameaçar as famílias. ‘‘Precisamos de proteção’’, disse. A cooperativa nega a acusação. Segundo a Agrária, há seguranças na área, mas que não estão armados e nem fazendo ameaças. O grupo afirma que mesmo com força policial não sairá do local. ‘‘Só sairemos daqui mortos’’, disse Santos.
Esta é a segunda vez que o grupo invade a fazenda. A primeira foi em dezembro de 96. A maioria das pessoas que está na fazenda morava em Guarapuava. Os assentados disseram que contrataram advogados, mas não souberam dizer os nomes.

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