Cidadãos da região de Londrina que precisam ser avaliados por dermatologistas do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam fila que supera atualmente os 8,2 mil agendamentos. Em outras especialidades, a situação é menos pior mas o tempo mínimo de espera não é menor do que dois meses. Isso sem contar as semanas em que é preciso aguardar para ser consultado pelo clínico geral antes de ser encaminhado ao profissional indicado.
Um professor de Educação Física de Londrina de 30 anos - que preferiu não se identificar - sente literalmente na pele esse drama. Ele procurou auxílio médico há pouco mais de dois meses na Unidade Básica de Saúde (UBS) Clair Aparecida Pavan (Centro) por conta de manchas estranhas no rosto. Foi atendido dia 2 de junho por um clínico geral que, ''sem nem se aproximar das manchas'', fez o encaminhamento.
O professor se informou sobre quando deverá ser atendido e tomou um susto. ''Liguei no telefone do Cismepar que me passaram no posto e a atendente disse que tinha 8.210 agendamentos antes do meu. Se tudo der certo, vou ser atendido em uns três anos'', indignou-se. ''Pode ser que as manchas não sejam nada grave, mas e se for?'', questionou, lembrando que o ofício o obriga a ficar exposto ao sol várias horas por dia. O educador registrou reclamação na Ouvidoria da Autarquia Municipal de Saúde. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima o surgimento de 120 mil novos casos de câncer de pele no país em 2010. O Sul do país tem as maiores taxas de incidência.
Mas a demora no agendamento de consultas não prejudica só quem precisa de dermatologista. Numa checagem em cinco UBSs de Londrina, a FOLHA constatou que consulta com oftalmologista demora pelo menos três meses. Agendamentos com cardiologista ou urologista não ocorrem antes de dois meses.
Para quem é de fora de Londrina a situação não é diferente. Após três meses de espera, um idoso de 79 anos de Cambé conseguiu ser atendido há alguns dias por um oftalmologista vinculado ao Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar). A esposa dele, de 73 anos, precisou aguardar meio ano por um consulta cardíaca. ''Para um doente grave esperar tudo isso é muito tempo'', criticou.
Natural de Centenário do Sul (Norte), uma dona de casa estava mais aliviada após o pai de 75 anos - surdo dos dois ouvidos - ter sido avaliado por um especialista depois de mais de três meses de espera. ''Só que agora ele tem que colocar aparelho e a gente nem sabe quando vai ser atendido'', disse, lembrando o caso ainda mais grave envolvendo a mãe, de 71 anos. A idosa tem cataratas, já perdeu a visão de um olho e espera a consulta com especialista há mais de um ano. ''Meu medo é que ela fique totalmente cega.''

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