Embora a Cohab sustente que o tempo de espera por uma casa já é bem menor do que na década passada, muitos ainda sentem aguardar há uma eternidade.
Nos últimos anos, a doméstica Aparecida Gomes Venera, 33 anos, assistiu à mudança de vários de seus vizinhos da invasão José Belinati (Zona Norte) para o Jardim Felicidade, na mesma região. Ela, porém, continua no mesmo barraco, ameaçado de desabar. ''Estou esperando já faz 11 anos na tal fila da Cohab. Queria saber por que demora tanto'', questiona a mãe de cinco filhos.
Demorou bem menos para a dona-de-casa Sandra Martins, 30 anos. Depois de aguardar por quatro anos no mesma invasão de Aparecida, em 2005 ela ganhou um lar de alvenaria com sala, cozinha, quarto e banheiro no Jardim Felicidade. ''Nossa vida melhorou. O sonho de todo mundo é casa'', declara.
O presidente da Cohab, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, alega que a companhia oferece programas específicos para moradores de baixa renda, nos quais não se leva em conta o histórico do mutuário. Para os demais, contudo, os critérios são rigorosamente observados. ''Nossa ordem (para entrega de unidades) é a de inscrição, mas quando chega a hora da seleção, as pessoas que não estão no perfil vão sendo eliminadas'', salienta.
Sobre o caso de Aparecida, o presidente diz que é necessário verificar o motivo da demora, considerada anormal. ''Teria que dar uma olhada se ela quis mudar quando foi oferecido casa para ela. Lá no José Belinati, já houve oferta de mudança para o Jamile Dequech (Zona Sul) e o Felicidade. Muita gente se recusa a sair. Obviamente eu vou levar primeiro as pessoas que não me dão problema para retirada'', sustenta. (V.N.)

mockup