Espera para adotar um menor
abandonado pode ser de 3 anos
O juiz Fabian Schweitzer, da 2ª Vara da Infância e Juventude da Comarca de Curitiba, considera a adoção irregular ‘‘errada, insegura e absurda’’, mas se recusa a fazer qualquer comentário sobre o caso do deputado estadual Edson Praczyk. Para Schweitzer, uma adoção à brasileira põe em risco anos de convivência, já que os filhos adotivos não ficam sabendo de sua condição. Para o juiz, que adota fora da lei não preenche um pré-requisito indispensável: o da verdade. ‘‘Inicia uma vida baseada na mentira.’’ Apesar do laço afetivo que se desenvolve entre os pais e os filhos adotivos, nunca irá superar o temor de uma revelação.
Schweitzer nega que a adoção seja demorada, como afirma grande parte dos leitores que apoiaram a atitude do deputado. Conforme o juiz, há um processo que deve ser cumprido antes de pôr a criança para adoção. Em primeiro, afirma, a Justiça tenta reintegrar a criança à família. Isso pode demorar até um ano. Depois, existe o processo de destituição do pátrio poder, ação que pode demorar até dois anos, se os pais biológicos contestarem.
Conforme Schweitzer, os brasileiros querem adotar apenas recém-nascidos, exatamente por querer forjar uma família biológica. ‘‘O povo seleciona demais as crianças que vai adotar’’, diz o juiz. O fato dos brasileiros adotarem apenas recém-nascidos limita o número de crianças adotadas por casais nacionais. Somente os bebês encontrados abandonados na rua ou aqueles em que as mães desistem do mátrio poder na maternidade podem ser adotados rapidamente.

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