Espera de 14 anos desanima paciente
Cabeleireira que trabalha de pé o dia inteiro, Marcia Vieira de Lima, 38 anos, desistiu de lutar por uma vaga na fila de espera por uma cirurgia de redução de estômago pelo SUS de Londrina. Apesar dos 110 quilos e de conviver com a pressão alta e a dor constante nas costas, ela abdicou de correr atrás de seus direitos, pois se viu ''abandonada pelo poder público''.
Até o ano passado, ela presidia a Obesolon e lutou com outros 300 pacientes pelo credenciamento de pelo menos mais um hospital para a realização das cirurgias bariátricas no município. Sem sucesso, Marcia decidiu retomar a rotina, que inclui o uso constante de medicamentos para o controle da pressão arterial e para as sérias dores na coluna.
''Engordei na gravidez do meu segundo filho, que hoje já está com 17 anos. Na época, precisei tomar corticóides, o que fez meu peso dobrar, e nunca mais consegui retomar o peso original'', conta a cabeleireira que, enquanto fazia parte do Obesolon, se consultava frequentemente com psicólogo e nutricionista, mas em decorrência do uso de medicamentos, nunca conseguiu emagrecer.
''Mais de mil obesos estão na fila do HU e no meu caso, eu só poderia operar daqui 14 anos. Mas quem garante que estarei viva até lá?'', desabafa Marcia. ''É uma cirurgia cara, mas muitos procuram outras cidades, onde há mais hospitais credenciados, para fazer a cirurgia. Eu mesma não tenho condições financeiras nem quem cuide de mim no pós-operatório se decidir ir para Curitiba ou São Paulo.'' (M.G.)





