Espera com vigilância é o melhor
A relação entre o médico e a paciente é essencial para que a espera monitorada depois que a mãe perdeu o bebê não seja tão traumática. Para o ginecologista Alexandre Moreira Fernandes, o importante é esclarecer que a conduta é a técnica mais moderna possível e que oferece menos riscos e maior garantia para manutenção da fertilidade.
''A conduta menos agressiva, menos invasiva, mais moderna é a espera com vigilância. Na verdade, toda vez que acontece uma intervenção há os riscos da instrumentação cirúrgica, de infecção hospitalar. Por isso, o que se faz hoje é aguardar o processo espontâneo, natural'', aponta.
Ele acrescentou que, estatisticamente, os riscos são muito menores para a mãe na espera do que no procedimento invasivo, como uma cesariana. E o processo natural preserva muito mais a fertilidade futura.
O ginecologista admite que a situação gera uma ansiedade grande no casal, mas que o ideal é aguardar e fazer o monitoramento de sinais como infecções e sangramentos. E em mais de 90% dos casos, o conteúdo uterino é eliminado naturalmente, sem necessidade de intervenção cirúrgica.
O índice de abortos na raça humana é de 20% a 25%, o que consiste num mecanismo seletivo de preservação de espécie. Na maior parte das vezes, a causa é genética.
No caso de gravidez mais avançada é necessário desencadear um processo de trabalho de parto. Mas ainda assim é recomendável esperar que o colo do útero amadureça. Essa preparação também pode ser feita com medicamentos. Porém, quando for necessário o uso de drogas, o ideal é que a paciente fique internada.
A técnica da espera vigiada também foi apontada pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) e Maternidade Municipal como forma mais adequada de agir em casos de perda do bebê.
O diretor regional do CRM, Álvaro Luís de Oliveira, destacou que a conduta é puramente técnica e que não há conflito ético nesse tipo de situação. ''Por isso, a avaliação deve ser feita pelo médico sobre cada caso. E o médico vai definir o que é melhor para a mulher'', garante.
Já o diretor geral da Maternidade Municipal, Rodrigo Rosseto Avanso, salientou que a cesariana é sempre um procedimento de risco. ''O profissional faz uma avaliação para definir o que é melhor para preservar a vida e a fertilidade da mãe'', ressalta. (F.R.F.)





