Londrina
A Companhia de Habitação (Cohab) e a Federação das Associações de Moradores de Favelas de Londrina vão trabalhar juntas no sentido de coibir o comércio irregular de lotes cedidos pela Prefeitura para famílias de sem-teto. A parceria foi fechada ontem pela manhã, durante reunião na sede da companhia. No encontro ficou acertado que a Federação vai ajudar o município a identificar os especuladores que vendem lotes em assentamentos da Cidade. Depois de identificá-los, a Cohab pretende denunciá-los ao Ministério Público sob acusação de estelionato.
A ação conjunta entre Cohab e Federação das Favelas foi motivada por reportagem da Folha de Londrina, publicada na edição da última quinta-feira, mostrando um barraco, no jardim Olímpico (zona norte), sendo ofertado para troca ou venda.
O diretor-presidente da Cohab, Wilson Mandelli, convocou ontem de manhã o presidente da Federação das Favelas, José Ricardo da Silva, a ajudar a identificar os especuladores. Na edição de ontem da Folha, José Ricardo denunciou a ação de uma ‘‘quadrilha de bandidos’’ que organiza invasões apenas com o objetivo de lucro: a venda dos lotes. O presidente da Federação aceitou o desafio, mesmo dizendo que corre risco de vida com o trabalho. ‘‘Eles são perigosos.’
Ontem mesmo, José Ricardo da Silva e outros membros da entidade começaram a checar os arquivos da Cohab com o objetivo de tentar identificar pessoas que passaram por várias invasões e acabaram vendendo os seus lotes.
Wilson Mandelli ressalta que o comércio dos lotes é ‘‘inadmissível’’. Ele garante que, a partir da identificação dos especuladores, a Cohab vai tomar a medida legal para tentar punir e coibir o comércio irregular. ‘‘Estes lotes são determinados para locar pessoas em situação de dificuldade’’, frisa. ‘‘O terreno é de propriedade do município e as pessoas não podem usar um benefício social para obter lucros.’
Mandelli explica que a transferência do terreno só poderá ser feita depois que os moradores tiverem pago 50% mais uma prestação. O assessor jurídico da Cohab, Jaiter Cortez, lembra que a venda dos lotes caracteriza-se como crime de estelionato, com pena de um a cinco anos de prisão.
Durante a reunião, Mandelli foi alertado quanto à ação criminosa dos especuladores. José Ricardo da Silva e Valdeir Roberto Tomazeli denunciaram que uma ‘‘quadrilha’’ de especuladores expulsa famílias de seus barracos para tomar posse e vendê-los. ‘‘Eles escolhem as famílias mais fracas e ameaçam a vida delas’’, conta José Ricardo. O presidente da Federação disse que já foi à polícia registrar queixa contra o que ele chama de ‘‘bandidos’’, mas nada foi feito.
Valdeir Tomazeli afirma que uma mulher e uma criança do Jardim Olímpico ficaram como reféns desta quadrilha, na intenção de obrigá-los a desocupar o barraco. Ele diz que vai ajudar a Cohab a identificar os especuladores, mas confessa que teme por sua família. ‘‘Eles podem colocar fogo na minha casa’’, preocupa-se. Os lotes dos assentamentos são comercializados por qualquer valor, conta José Ricardo, valendo desde rádio, bicicleta ou qualquer valor em dinheiro. O presidente da entidade lembra que até agora a Federação agiu sozinha na tentativa de acabar com a especulação.
Wilson Mandelli se comprometeu a pedir reforço policial nos assentamentos e também em ajudar a concluir a construção do módulo policial no jardim Olímpico.
O sociólogo Humberto Rodrigues de Lima, responsável pelo Departamento de Planejamento Social da Cohab, lembra que hoje em Londrina existem 22 pontos críticos, concentrando entre 1.800 e 2.000 famílias. Estes pontos críticos são favelas não urbanizadas, invasões em fundos de vale ou ocupações irregulares.

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